Na recente Conferência das Partes (COP30), realizada em Belém (PA), vimos um avanço histórico para o Brasil e para o mundo: os biocombustíveis nacionais avançaram com protagonismo no debate global sobre clima, energia renovável e transição energética.
Um dos resultados mais emblemáticos do evento foi o lançamento do compromisso Belém 4X – o “Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis” – que visa quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis até 2035. Esse plano ambicioso já conta com o endosso de mais de 20 países e integra a Agenda de Ação da COP30.
A expectativa é que, com a implementação de políticas existentes e anunciadas e com o apoio de governos e setor privado, a oferta de combustíveis renováveis aumente de forma consistente, substituindo combustíveis fósseis nos setores de transporte e indústria pesada. E a inspiração tem que vir há muito tempo do nosso país.
Na COP 30, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) reafirmou seu compromisso de representar o setor com seriedade, destacando que o Brasil reúne tecnologia, matéria-prima, experiência e uma cadeia produtiva robusta para ser protagonista na transição energética global.
Ao longo de duas décadas, o setor de biodiesel do Brasil venceu dúvidas, superou desafios e construiu uma sólida trajetória de profissionalização e escala. Hoje, com a mistura obrigatória de 15% de biodiesel (B15) no diesel fóssil e com a possibilidade de alcançar 25% nos próximos anos, o biocombustível demonstra ser uma solução madura, de mais baixo custo, confiável e eficaz para a descarbonização imediata.
O setor entra em 2026 certo de que seguimos na direção correta – já há testes bem-sucedidos com misturas B30, B50 e até B100 em caminhões, trens, navios e máquinas agrícolas. Isso significa que o Brasil está pronto para expandir a adoção e demonstrar que os biocombustíveis podem reduzir emissões sem comprometer desempenho ou produtividade.
Além do benefício ambiental, o biodiesel movimenta o agronegócio, agrega valor à cadeia produtiva da soja, por exemplo, e incentiva a instalação de novas usinas, gerando emprego, renda e PIB – especialmente em regiões onde oportunidades são mais necessárias.
Para o novo ano, o prenúncio é muito bom: reconhecemos uma ampliação da produção de biodiesel, com investimentos intensificados em usinas e estrutura agrícola, criando novas cadeias de valor no campo, fortalecendo a agricultura familiar. O avanço da safra permanece oferecendo competitividade ao produto nacional.
Além disso, com o apoio articulado entre governo e setor produtivo, seguiremos com previsibilidade regulatória e de mercado – condição essencial para atrair investimentos e garantir retorno à sociedade.
Por fim, o Brasil pode consolidar sua imagem internacional como referência em energia limpa, desenvolvimento sustentável e transição justa – um protagonismo que beneficia a economia, em especial o agronegócio, o meio ambiente e a vida de milhões de brasileiros.