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Cadeia produtiva da química e da petroquímica está na UTI

Por Sidnei dos Anjos, diretor administrativo do Comitê de Fomento Industrial do Polo RS (Cofip)

A indústria petroquímica brasileira, pilar da cadeia industrial e estratégica para o desenvolvimento do país, enfrenta hoje uma ameaça grave e urgente: as importações predatórias de resinas termoplásticas como polietileno e polipropileno, base para uma infinidade de bens de consumo presentes no nosso dia a dia. Essa prática vem destruindo a competitividade da produção nacional, levando à ociosidade das plantas, perda de arrecadação e, por fim, ao risco de perda de empregos e desindustrialização de um setor vital para a soberania econômica do Brasil.

Isso acontece porque empresas estrangeiras, muitas vezes subsidiadas por seus governos, têm colocado no mercado brasileiro produtos a preços artificiais que não refletem os custos reais de produção. Sem contrapartida ou equilíbrio tarifário, essa dinâmica distorce o mercado, mina investimentos e compromete décadas de esforço para desenvolver uma indústria integrada, eficiente e com alto valor agregado.

No Polo Petroquímico de Triunfo, um dos cinco maiores geradores de ICMS do Rio Grande do Sul, os efeitos já são visíveis. A ociosidade das plantas, que chegou a 45% no último mês de julho, afeta diretamente a economia dos municípios da região, reduz arrecadação, enfraquece fornecedores e compromete milhares de empregos diretos e indiretos. Esse polo gera, hoje, cerca de 8 mil empregos.

A perda de capacidade produtiva também coloca em risco a segurança no fornecimento de insumos essenciais para setores como embalagens, construção civil, agronegócio e saúde. A cadeia da química e da petroquímica está na UTI e com oxigênio cada dia mais escasso.

Para sair da UTI, é imprescindível a adoção imediata de medidas estruturantes. A principal delas é a aprovação do projeto que cria o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), com estímulos e investimentos para modernizar e tornar o setor ainda mais sustentável e competitivo. Paralelamente, também é necessário manter a tarifa de 20% na importação de resinas plásticas para além de 2025 e adotar barreiras antidumping para resinas termoplásticas importadas com preços inferiores aos praticados em seus países de origem, a exemplo do polietileno.

Defender o setor é defender empregos qualificados, inovação, geração de receitas e o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva nacional. O Brasil não pode abrir mão de sua indústria petroquímica. É preciso agir agora.