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Caminhos para a universalização do saneamento

Por FABIANO DALLAZEN, diretor de Relações Institucionais Grupo Aegea – Regional Sul

A universalização do saneamento básico segue como um dos principais desafios globais. A meta da ONU de garantir acesso à água potável e ao tratamento de esgoto até 2030 é ambiciosa. Relatório da OMS e do Unicef mostra que, apesar de avanços, bilhões de pessoas ainda vivem sem esses serviços. No Brasil, a evolução foi limitada na última década e o país pode chegar ao prazo distante da universalização.

Nesse cenário, a mudança no modelo de gestão da Corsan reposicionou o Estado em saneamento e indica que é possível acelerar a expansão dos serviços com investimento, planejamento e execução. Foi assim que o Rio Grande do Sul passou a apresentar resultados relevantes em curto prazo.

Desde 2023, com a transferência da operação para a iniciativa privada, houve aumento expressivo nos recursos aplicados. Os investimentos passaram de R$ 400 milhões para R$ 1,9 bilhão por ano, somando R$ 3,85 bilhões em dois anos. O impacto foi direto na infraestrutura. A cobertura de esgoto, por exemplo, avançou o equivalente à metade do realizado nas quase seis décadas anteriores. No abastecimento de água, o índice chega a 99%. As obras em curso já sustentam cerca de 47 mil empregos diretos e indiretos por ano.

A adoção de tecnologia também elevou a eficiência. O uso de satélites e geofones permitiu identificar mais de 32 mil vazamentos ocultos, reduzindo perdas. Esse progresso vem acompanhado da intensificação de obras nas cidades. Intervenções em vias públicas e impactos temporários na mobilidade fazem parte do processo. São transtornos pontuais, que exigem adaptação no curto prazo, mas viabilizam benefícios permanentes. A expansão das redes melhora a qualidade de vida, contribui para o meio ambiente e gera efeitos duradouros para as futuras gerações.

Em 2024, o Estado enfrentou a maior enchente de sua história, testando a resiliência do sistema. A resposta incluiu um plano de R$ 1,88 bilhão para adaptação da infraestrutura a eventos extremos, com realocação de estruturas e novas fontes de captação.

A ampliação do acesso do serviço também envolve a dimensão social. Há previsão de expansão da tarifa social para mais de 600 mil famílias.

Estudos indicam que, sem a mudança de gestão, o Estado chegaria a apenas 30% de cobertura de esgoto até 2033. Os resultados apontam uma trajetória distinta, com potencial de antecipar metas e reduzir desigualdades. A convergência entre investimentos, gestão e compromisso público é o que sustenta transformações consistentes no tempo.