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Castelo Branco ou Legalidade

Por Eduardo Battaglia Krause, advogado e escritor

Defendo tanto a democracia que admito até mesmo quem se manifesta contra ela. Em 1975 tive que prestar serviço militar obrigatório. Auge do regime. Além de não concordar com o sistema, sempre fui cabeça dura e indisciplinado, peguei tanta cadeia que às vezes penso em me habilitar a alguma pensão.

Pouco depois, não vou historiar, este artigo não é pra isso, nasceu a avenida Castelo Branco, um ex-presidente, personagem que marcou um período duro do cenário brasileiro. Existiu? Sim. Foi aplaudido por um segmento? Sim. Execrado por outro? Sim. De outro lado, um grupo de combativos vereadores tentou promover a mudança do nome para avenida da Legalidade e da Democracia, não um personagem, mas um espaço de tempo, que marcou nosso Estado, aos olhos de muitos a defesa da posse de João Goulart em razão da renúncia de Jânio Quadros.

Dois episódios marcantes da história desse nosso Brasil de muitos brasis. O que isso muda? Os dois lados entendem que sim, motivos sobram. Os acontecimentos passados e os rumos do país vão mudar? Não. Castelo Branco e Legalidade já estão escritos na história gaúcha e brasileira. Recentemente esta discussão levou tempo, gastou dinheiro do cidadão, gerou grandes debates ideológicos, enfim.

O que a cidade e os porto-alegrenses ganharão? A resposta é dos leitores. Lembrei de Fernando Pessoa. Certa feita encontrou dois amigos em ruas separadamente. Haviam brigado um com o outro.

O poeta os ouviu com interesse. Não é que ambos tinham bons pontos de vista? Ficou frente a realidade da dupla razão. Ficamos nós, mas Porto Alegre vai continuar banhada pelo Guaíba e todos os dias o pôr do sol vai ser diferente.