Cinco anos se passaram desde o início da pandemia de Covid-19, um dos maiores desafios sanitários da nossa geração. Para quem esteve na linha de frente da gestão pública da saúde, foram anos de aprendizado intenso, de decisões difíceis e de um esforço coletivo para salvar vidas.
Tive a oportunidade – e a responsabilidade – de atuar diretamente na resposta à pandemia nos dois maiores polos de saúde do Rio Grande do Sul. Primeiro, em Canoas, como Secretário de Saúde, enfrentando uma das fases mais críticas da crise sanitária. Depois, em Porto Alegre, liderando a Vigilância em Saúde, onde, junto com uma equipe comprometida, tivemos a missão de vacinar o maior número possível de pessoas no menor tempo. Sabíamos que cada dose aplicada significava mais segurança e menos mortes.
A pandemia acelerou mudanças profundas na saúde. Vimos o avanço da telemedicina, a necessidade de mais transparência na gestão, a criação de novos leitos e o desenvolvimento rápido de vacinas e tratamentos. A tecnologia evoluiu a passos largos, mas, ao mesmo tempo, lidamos com o peso das perdas. Muitas vidas foram interrompidas, muitas famílias foram marcadas pela dor. A saúde mental de profissionais e da população foi colocada à prova, e ainda temos anos pela frente para tratar as sequelas deixadas por esse período.
Vimos médicos e enfermeiros exaustos, que não voltavam para casa por medo de levar o vírus para seus filhos. Vimos pessoas se despedindo através de telas, sem poder dar um último abraço. Vimos a dor da despedida solitária e a luta incansável de tantos para salvar vidas. E vimos, também, momentos de esperança. A chegada das vacinas foi um marco. Vi idosos saindo de postos de vacinação com os olhos marejados, apertando contra o peito aquele pequeno comprovante que significava uma nova chance.
A pandemia nos mudou. Transformou a forma como enxergamos a vida, a saúde, o tempo. Nos ensinou que a dor pode ser imensa, mas a solidariedade pode ser maior. Que a ciência salva, que a união faz diferença, que cada esforço vale a pena. Mas também nos deixou cicatrizes profundas – não só nas famílias que perderam seus entes queridos, mas na saúde mental de todos que viveram esses anos de medo, isolamento e perdas.
Olhando para trás, fica claro que a superação dessa crise só foi possível com a união de esforços – da ciência, da gestão pública e da sociedade. Que essa mesma união continue sendo o impulso para novos avanços, garantindo que estejamos sempre mais preparados para os desafios que ainda virão.