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Cinco anos sem IPOs dão luz alta na economia

Por MARCELLO BELTRAND, consultor e mestre em Administração

O Brasil ficou quase cinco anos sem registrar um IPO relevante na bolsa de valores B3. O jejum terminou em maio de 2026, quando a Compass Gás e Energia precificou sua oferta pública inicial em R$ 28 por ação, movimentando cerca de R$ 3,2 bilhões.

IPO (initial public offering ou oferta pública inicial) é o processo pelo qual uma empresa passa a negociar suas ações em bolsa pela primeira vez. Mais do que captar recursos, representa um avanço no desenvolvimento da companhia e do mercado financeiro.

O jejum na bolsa vai além da ausência de uma operação financeira: revela as dificuldades da economia em fazer das empresas privadas companhias aptas a acessar o mercado de capitais. Cinco anos sem IPOs sinalizam um ambiente hostil ao crescimento empresarial, já que as ofertas conectam empresas que precisam de recursos a investidores dispostos a dividir riscos e ganhos, impulsionando investimentos e expansão econômica.

Ao abrir capital, a companhia também passa a operar sob regras mais rigorosas de transparência, prestação de contas e governança. Isso permite uma avaliação contínua de sua estratégia, desempenho e geração de valor. Além disso, a listagem em bolsa dá visibilidade à empresa e facilita futuras captações e/ou expansão.

A relevância do IPO está além do dinheiro arrecadado, mira na criação de alternativas de financiamento para as empresas. Quanto mais desenvolvido o mercado de capitais, menor a dependência exclusiva do crédito bancário e maiores as possibilidades de investimento na economia real. No sentido contrário, juros elevados, incerteza fiscal, volatilidade e a atratividade da renda fixa reduziram o interesse por novas ofertas.

Os benefícios alcançam toda a sociedade. Empresas com acesso a capital investem, inovam, ampliam operações e geram empregos. Para o investidor, surge a oportunidade de participar do crescimento de diferentes setores. Para o empresário, abre-se uma fonte de recursos para projetos de maior escala. E, para o país, fortalece-se um mercado de capitais mais profundo, diversificado e competitivo.

No longo prazo, economia competitiva é aquela capaz de transformar poupança em investimento, investimento em empresas, empresas em produtividade e empregos e riqueza. A volta dos IPOs é positiva, mas ainda insuficiente para alcançar a maturidade que uma economia de mercado exige.