A nova tragédia ocorrida em um bar/boate na Suíça escancara, mais uma vez, um problema que já deveria ser óbvio: locais de entretenimento noturno podem se transformar rapidamente em armadilhas quando a segurança é tratada como detalhe.
Segundo a promotora pública Béatrice Pilloud, “fogos de artifício ou sinalizadores colocados sobre garrafas de champanhe, muito perto do teto, causaram um incêndio rápido, muito rápido e generalizado”. A declaração não apenas descreve o ocorrido como confirma aquilo que especialistas alertam há anos: pirotecnia em ambientes fechados, especialmente próxima a materiais inflamáveis no teto, é uma combinação extremamente perigosa.
Ainda assim, práticas desse tipo continuam sendo toleradas — ou ignoradas — por empresários e autoridades. Soma-se a isso a presença de uma única porta de saída, estreita e insuficiente para uma evacuação de emergência. Em situações de pânico, segundos definem destinos e a falta de rotas adequadas transforma diversão em tragédia.
Não se trata de um acidente imprevisível. Trata-se de negligência repetida, de escolhas conscientes e de uma fiscalização falha. Enquanto estética, lucro e espetáculo falarem mais alto do que protocolos de segurança, novas tragédias continuarão acontecendo — na Suíça ou em qualquer outro lugar.
Não é surpresa. Não é azar. É consequência.