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Com política de inclusão escolar efetiva, não haverá judicialização

Por Laura de Andrade, diretora-executiva da Abess e especialista em Educação Especial e Inclusiva e Gestão Pública

A judicialização da educação inclusiva tem se tornado um tema recorrente em nossa sociedade. Conforme as políticas de inclusão avançam, surgem naturalmente questões sobre os direitos e proteções de pessoas com deficiência na escola. Muitas vezes, as famílias se sentem desamparadas e sem opções, recorrendo ao Judiciário como última alternativa para garantir o direito à inclusão educacional de seus filhos.

A inclusão escolar é um direito assegurado pela Constituição Federal e por diversas leis, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. No entanto, muitas vezes, a implementação das políticas de inclusão esbarra em obstáculos e desafios, levando as famílias dos estudantes a recorrerem à Justiça em busca de garantir seus direitos no ambiente escolar.

O principal motivo que leva à judicialização da educação inclusiva em vários municípios gaúchos é a exigência das famílias de um “monitor” para seus filhos. Contudo, existem outras razões, como a falta de infraestrutura adequada, recursos pedagógicos especializados e profissionais de áreas de apoio aos professores para atender às necessidades específicas desses estudantes.

Entendo que o melhor caminho a fim de evitar isso seja o trabalho realizado de forma multidisciplinar, com uma parceria entre os poderes (judiciário, governos e sociedade civil) através da implementação e execução dos processos. Em resumo, quem ganha são todos os atores envolvidos, mas o maior beneficiário são os estudantes da educação especial.

Vale ressaltar que a judicialização da educação inclusiva não é a solução ideal. O ideal seria que as escolas estivessem preparadas para receber todos os estudantes, independentemente de suas características e necessidades. Para isso, é fundamental investir em uma política estruturante como esta que garanta a continuidade do trabalho nas escolas e na conscientização de toda a comunidade.

A judicialização da educação inclusiva é um reflexo da falta de políticas públicas efetivas e do descumprimento das leis por parte das instituições e governos. É preciso que haja um comprometimento por parte do Estado e das escolas em garantir a inclusão educacional de todos os estudantes para que a judicialização seja uma exceção e não a regra. Isso é crucial para uma sociedade inclusiva e igualitária.