A demonização da política exibe suas consequências mais nefastas nesta fase da vida nacional: o período eleitoral. A cada dois anos, temos disputas, mas esta que se avizinha, em nível municipal, é aquela que mobiliza de forma intensa comunidades de todos os tamanhos.
O comportamento de vereadores e de prefeitos impacta diretamente em nossas vidas. Os projetos, aprovados nas câmaras municipais e transformados em leis, dizem respeito ao cotidiano que envolve emprego, educação, segurança e convivência social e familiar.
Ao contrário dos governadores e do presidente da República, o prefeito não tem vida fácil diante dos conterrâneos. Por onde andar, será cobrado, terá que dar satisfações, explicar os motivos de suas decisões, ou seja, será obrigado a prestar contas de seus atos ao longo de quatro anos.
Apesar de a maioria do noticiário ser majoritariamente negativa, surpreende a quantidade de “pessoas comuns” que decidiram submeter os nomes à apreciação do eleitorado. Diversos amigos e conhecidos confirmaram, nas convenções partidárias realizadas há pouco, a participação no pleito de outubro.
“Não adianta ficar alheio, só criticando e não participar. Se quisermos gente decente para fazer política honesta, é preciso deixar a zona de conforto e lutar por um mandato e fazer o que é certo”, explicou uma amiga de infância residente em uma pequena cidade do interior gaúcho fortemente atingida por três enchentes em onze meses.
A transformação da política em “algo do demônio” serve apenas para assegurar o espaço de candidatos comprometidos com interesses escusos, muito distantes da defesa das comunidades. Não defendo que se omitam das manchetes as notícias negativas que envolvem casos de corrupção e de outras falcatruas. Mas lamento o pouco espaço concedido aos exemplos positivos. Estes, além de valorizar bons gestores públicos, servem de inspiração para outros administradores. Na vida pública, tudo se copia e se adapta às comunidades para melhor a qualidade de vida da população.
A disputa por um mandato é uma missão difícil, complexa e que, às vezes, suscita mentiras e atentados a biografias ilibadas. Mas também é um aprendizado sobre nossas comunidades, sua gente e a preocupação com o futuro dos conterrâneos. Comprometimento é sinônimo de cidadania.