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Coragem para dialogar

Por ROSÂNGELA FLORCZAK e KIM GESSWEIN, decana da Escola de Comunicação, Artes e Design - Famecos da PUCRS; coordenador do 39º SET Indústria Criativa

Nunca tivemos tanto acesso à informação e, ainda assim, tão pouca capacidade de escutar. Em meio a crises climáticas, conflitos geopolíticos e uma sensação constante de instabilidade, o mundo parece marcado por ruídos. Opiniões se multiplicam, discursos se sobrepõem e o diálogo, muitas vezes, se perde.

Não se trata apenas de divergência. Trata-se de uma dificuldade crescente de permanecer em conversa, especialmente quando não há respostas simples. A incerteza, que poderia abrir espaço para construção coletiva, frequentemente gera o efeito oposto: fechamento, polarização e afastamento.

O diálogo deixa de ser algo automático e passa a exigir coragem. Coragem para sustentar a escuta e para reconhecer a complexidade. A criatividade assume, então, um lugar que vai além da expressão. Ela se torna mediação, capaz de traduzir o que parece incomunicável, criar conexões onde há distanciamento e propor novas formas de compreender o mundo.

Justamente por esse potencial que a indústria criativa ganha relevância estratégica. Em escala global, segundo a Unesco, as indústrias culturais e criativas movimentam cerca de US$ 2,25 trilhões por ano e empregam quase 30 milhões de pessoas, sendo o principal setor de trabalho para jovens entre 15 e 29 anos.

É a partir desse reconhecimento que a PUCRS lança o 39º SET Indústria Criativa, evento que propõe um espaço que convida estudantes de graduação das áreas de comunicação, artes e design, de diferentes universidades, a pensar, por meio de seus trabalhos, soluções criativas para um cenário marcado pela incerteza, não para simplificá-lo, mas para torná-lo compartilhável. Com o tema Coragem para Dialogar, o evento ocorre entre os dias 20 e 22 de outubro e, até lá, está lançado o desafio aos estudantes.

Talvez, em um tempo de respostas rápidas e posições rígidas, a maior inovação seja justamente a disposição de continuar em diálogo. Não apesar das incertezas, mas a partir delas.