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Crescer com resiliência

Por DOUGLAS MARTELLO, presidente da Granpal e prefeito de Alvorada

As enchentes de 2023 e 2024 mudaram as condições para o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Porto Alegre. Municípios que precisam atrair investimentos e gerar empregos convivem hoje com um risco climático que interfere diretamente na atividade econômica. Preparar nossas cidades para essa realidade passou a fazer parte de qualquer projeto consistente de crescimento.

É com esse objetivo que a Granpal reúne, nesta terça-feira, no Instituto Caldeira, gestores públicos, especialistas e representantes do setor produtivo no 1º Seminário Internacional Desafios para o Crescimento Econômico Sustentável e Resiliente na Região Metropolitana de Porto Alegre. Queremos discutir como uma região exposta a eventos extremos pode continuar crescendo e oferecendo segurança para quem vive, trabalha e investe aqui.

Os últimos anos mostraram o custo dessa vulnerabilidade. Empresas tiveram suas atividades interrompidas, trabalhadores ficaram impedidos de chegar aos seus empregos e municípios precisaram deslocar recursos para uma reconstrução que ainda está em andamento em diferentes pontos do Estado. Para a economia, períodos de paralisação deixam consequências que permanecem depois que a água baixa.

Essa experiência precisa mudar a forma como planejamos a Região Metropolitana. Infraestrutura capaz de suportar eventos severos influencia diretamente a decisão de uma empresa que avalia onde investir. A qualidade da resposta pública também pesa para quem já está instalado e precisa saber em quanto tempo conseguirá retomar suas operações depois de uma emergência. A resiliência entrou na equação da competitividade.

Quando assumimos a Granpal, escolhemos colocar o desenvolvimento econômico entre as prioridades da entidade e tratar a preparação para os eventos climáticos dentro dessa agenda. Os municípios da Região Metropolitana dividem fluxos de trabalhadores, infraestrutura e atividade econômica. Uma interrupção importante em Canoas, Porto Alegre ou qualquer outra cidade rapidamente produz efeitos nas demais.

É por isso que a discussão precisa ser metropolitana. Cada prefeitura continuará responsável pelas decisões que lhe cabem, mas há problemas que exigem planejamento conjunto e uma relação permanente com o setor produtivo. O seminário desta terça-feira pretende contribuir para essa construção, trazendo experiências e conhecimento capazes de orientar decisões concretas para a região.

Nossa tarefa agora é incorporar o que 2023 e 2024 ensinaram ao planejamento dos próximos anos. Queremos uma Região Metropolitana capaz de receber investimentos mesmo diante de um cenário climático mais exigente e de preservar sua atividade econômica quando novos eventos ocorrerem. Proteger a capacidade de produzir e gerar empregos também faz parte da preparação das nossas cidades.