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Crise ou oportunidade?

Por Felipe Leão, coordenador da Câmara Especial de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Conselho Regional de Administração do RS (CRA-RS)

O ano mal começou e já entramos para a história. Segundo especialistas, janeiro foi o mês mais quente da história global. Em Santa Maria, cones expostos ao sol derreteram, assim como o asfalto de Maracajá, em Santa Catarina, que não resistiu às ondas de calor. Em Quaraí, a temperatura atingiu 43,8°C, com sensação térmica ultrapassando os 50°C, levando os órgãos públicos a suspender a volta às aulas. O RS foi até mesmo citado pelo The Guardian, jornal centenário do Reino Unido. Mas será que tudo isso é normal? Quais as consequências para o Estado?

As altas temperaturas impactam diretamente a economia. Preços devem subir junto com o calor, uma vez que se projeta uma perda de 50% na produção de soja. Animais sofrem com o estresse térmico, resultando na queda da produção de leite, agravada pela escassez de água e de pastagens. As queimadas afetam a agricultura e a saúde pública, aumentando casos de desidratação e de doenças respiratórias.

Diante desse cenário, o Brasil pode assumir o protagonismo global no combate às mudanças climáticas e na implementação do Acordo de Paris. A recente decisão do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo criou uma lacuna de liderança nesse tema. A ação enfraquece o movimento global, dado que os EUA são uma das maiores potências mundiais e um dos principais emissores de poluentes atmosféricos, ocupando o segundo lugar no ranking mundial.

Alguns países indicaram que podem seguir o exemplo americano, como a Argentina, cuja saída do acordo poderá ter impactos, incluindo prejuízos em tratados comerciais, como o acordo entre União Europeia e Mercosul, que contém cláusulas ambientais vinculadas ao pacto climático. No setor financeiro, o JPMorgan Chase e outros grandes bancos optaram por deixar a Net-Zero Banking Alliance (NZBA), aliança global comprometida com a neutralidade de carbono.

Apesar desse cenário desafiador, a COP 30, em Belém do Pará, representará uma oportunidade para o Brasil fortalecer alianças e demonstrar liderança na Agenda 2030. Para isso, precisamos investir na agropecuária sustentável, fortalecer a fiscalização das florestas, combater queimadas, promover a economia circular e incentivar a agricultura de baixo carbono. Essas ações protegerão o meio ambiente e impulsionarão a economia, tornando o Brasil uma potência global na transição para um mundo mais sustentável.