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Cuidar de quem cuida: um gesto de empatia transformado em política pública

Por Hamilton Sossmeier, vereador de Porto Alegre

Nesta semana em que Porto Alegre se volta ao debate sobre inclusão e acessibilidade, refletindo sobre os direitos e os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência, é impossível ignorar quem está ao lado delas em cada passo da jornada: as mães, cuidadoras e tutoras que dedicam suas vidas ao cuidado contínuo, silencioso e incansável.

Elas acordam todos os dias para enfrentar sistemas públicos burocráticos, filas, diagnósticos difíceis, terapias caras e, muitas vezes, a solidão. E fazem isso não por obrigação, mas por amor. Por isso, falar de inclusão também é falar sobre elas — e, principalmente, é reconhecer que ninguém aguenta tanto por tanto tempo sem apoio.

É a partir desse entendimento que nasceu o Projeto de Lei “Cuidar de Quem Cuida”, de minha autoria. A proposta quer instituir em Porto Alegre um programa de apoio às mães atípicas — mulheres que criam filhos com deficiência, doenças raras, TEA, TDAH e outras condições que exigem cuidados específicos e diários.

Esse cuidado constante tem um preço: saúde mental abalada, exaustão física, isolamento social. Muitas relatam se sentir invisíveis. Outras, esgotadas. Algumas, sem perspectiva. Por isso, o programa que propomos visa acolher, orientar, escutar, formar redes de apoio e garantir acesso a atendimento psicológico, terapêutico e emocional.

Mais que um projeto de lei, essa é uma resposta humana a uma realidade que conhecemos de perto — nos corredores das escolas especiais, nas salas de espera de clínicas ou nas reuniões com famílias que nos procuram por não saber mais a quem recorrer.

É preciso lembrar que quem cuida também precisa ser cuidado. Que políticas públicas devem olhar para o todo, e isso inclui garantir a saúde e o bem-estar de quem está sustentando, na base, a luta pela dignidade de uma criança, de um jovem ou de um adulto com deficiência.

Na Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, que possamos ampliar o olhar e entender que cuidar de quem cuida é, também, uma forma profunda e necessária de inclusão. Seguiremos juntos, com empatia, escuta e compromisso.