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De que valem as leis sem educação?

Por Gilberto Jasper, jornalista

“Se dependesse de leis, o Brasil seria a Suíça.”

A frase, produto do bom humor e criatividade da nossa gente, reflete com exatidão a realidade. Integrantes do Poder Legislativo – vereadores, deputados estaduais e federais, além de senadores – são pródigos em produzir leis, regulamentos, vedações e outros quetais todos os dias. Eles gostam, especialmente, de elaborar propostas que começam com “proibir”. É o passatempo preferido dos legisladores verde-amarelos.

Em Porto Alegre, a polêmica dos “fios sem dono” esta semana tirou do sério o prefeito Sebastião Melo ao dizer que há “muitos vigaristas” envolvidos no descaso coletivo do lixo que paira sobre nossas cabeças. Há poucos dias, houve um acidente em que um jovem foi apeado da bicicleta por um fio pendente de um poste. O rapaz teve ferimentos sérios, mas, como sempre, não se teve notícia de responsabilização alguma.

Operadoras de Internet, empresas de energia elétrica e outros usuários dos postes da Capital estão nem aí para a segurança e limpeza da cidade. Há direitos e deveres explícitos em inúmeras legislações, ignorados pela ganância, pressa e impunidade que reinam absolutas. Onde estão os órgãos de fiscalização, recheados de funções e, por vezes, cargos de confiança?

Fios abandonados e lixo são pragas que atormentam o porto-alegrense. Contêineres são instalados para todo tipo de detrito – orgânico, reciclável e vidro –, mas do que adianta esta gigantesca despesa – financiada por todos nós – se inexiste educação, respeito e empatia?

Moro na avenida Bagé, bairro Petrópolis. Dia destes, funcionária de uma farmácia das proximidades empilhava caixas de papelão antes de jogar dentro do contêiner destinado ao lixo orgânico. Mostrei a placa indicativa, mas ela, irritada, nem me olhou e disparou:

– Não me interessa! O gerente mandou eu me livrar do lixo!

É assim por toda a cidade, o Estado e o país. Trata-se de comportamento típico que se vê, também, em estacionamentos, onde o “Eu Futebol Clube” leva motoristas a ocupar, sem escrúpulo, duas vagas. Tudo pela justificativa de “estar com pressa” para não alinhar o veículo no espaço determinado. E fica por isso mesmo.

De que adiantam leis se o fator humano está cada vez mais distante de um mundo solidário, consciente e responsável? Educação é tudo.