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Desafios e oportunidades para a transição

Por Guilherme Sari, diretor de Eólicas do Sindienergia-RS

Estamos enfrentando um grande dilema em torno de políticas e ações que desafiam pensamentos e discussões construídas ao longo dos últimos anos no Brasil e no mundo. A transição energética está no centro desse debate, destacando a importância de evoluirmos como sociedade para reduzir nosso impacto no planeta, mitigando os danos realizados ao longo do século passado e início deste que estamos vivendo.

A transição energética não se limita a uma questão ambiental, mas também a uma estratégia para o futuro econômico do mundo. Este processo envolve a mudança de uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis para outra que priorize fontes renováveis, como solar, eólica, bioenergias, hídricas (sobretudo as micros e pequenas centrais hidrelétricas) e outras. Embora essa transformação seja essencial para mitigar as mudanças climáticas, ela apresenta diversos desafios, especialmente sob a perspectiva econômica das grandes empresas que estão migrando do mercado regulado para o livre ou optando pela autoprodução de energia.

Entre os principais desafios estão os custos iniciais elevados com a exigência de investimentos significativos em infraestrutura e tecnologia. As incertezas regulatórias com a migração para o mercado livre de energia geram complexidade em garantir contratos de longo prazo que ofereçam estabilidade financeira em meio às flutuações de preços e à imprevisibilidade das políticas públicas. Outro desafio é a necessidade de investimentos robustos na infraestrutura de transmissão, fundamentais para garantir que a oferta atenda à demanda sem interrupções, principalmente em se tratando de uma indústria eletrointensiva.

Apesar dessas dificuldades, a transição energética também oferece oportunidades econômicas importantes. Entre elas, a redução de custos operacionais no longo prazo. Com a queda nos preços das tecnologias renováveis e a maior competitividade do mercado livre, as empresas podem se beneficiar de tarifas mais baixas e maior previsibilidade, melhorando sua eficiência energética operacional. Empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento irão se posicionar como líderes em um mercado crescente de tecnologias limpas. Outro benefício potencial está no acesso a novos mercados. Com consumidores cada vez mais conscientes sobre questões ambientais, as empresas podem atrair novos públicos e fortalecer sua reputação corporativa em um contexto global em que a sustentabilidade é uma escolha ética e uma exigência comercial.

Estamos completando um quarto de século XXI e ainda não está claro que os líderes políticos mundiais compreendam a necessidade de adaptação do mundo com as tecnologias disponíveis e das inovações que virão. No entanto, certamente que decisões unilaterais, baseadas apenas em interesses políticos ou de grupos corporativos específicos, terão consequências significativas no futuro.