A Lei dos Desmanches completou dez anos em 2025 com resultados visíveis na segurança pública. Com a regulação da atividade, o RS conseguiu reduzir em 87% o roubo de veículos na última década. Mas esta lei também está diretamente relacionada com a sustentabilidade ambiental.
Sucatas abandonadas representam perigo ao ecossistema. Metais pesados, combustíveis, lubrificantes e outros fluidos podem contaminar o solo e as águas.
Nos 420 Centros de Desmanches de Veículos (CDVs), credenciados pelo Detran/RS, as sucatas passam por descontaminação e desmontagem de acordo com normas ambientais. As peças devem ser armazenadas de modo adequado para evitar a contaminação ambiental. Os componentes reutilizáveis são avaliados por um responsável técnico e podem ser comercializados, contribuindo para a economia circular.
Só no RS, 26 milhões de peças foram retiradas de 440 mil veículos nestes 10 anos de vigência da lei. Deste total de peças, 16 milhões já voltaram para circulação ou foram destinadas à reciclagem. Outras 10 milhões estão disponíveis para o consumidor no site de buscas Peça Legal.
Os componentes não recuperáveis são enviados para reciclagem na indústria siderúrgica, tornando-se matéria-prima para produção de aço e reduzindo significativamente a extração de recursos naturais (água e minérios) e a emissão de CO2 (responsável pelo aquecimento global).
No dia 15 de abril, o Brasil regulamentou o Programa Mover (Mobilidade Verde) voltado à eficiência energética e à reciclabilidade veicular. O programa prevê que, a partir de 2027, todos os veículos novos deverão conter no mínimo 80% de componentes recicláveis ou reutilizáveis, atingindo 85% em 2030. O Mover reafirma a importância do setor dos desmanches rumo ao futuro sustentável e o Estado deve se consolidar como um dos principais polos de reciclabilidade veicular do país.