Diante de graves problemas sociais, soa como insensibilidade buscar beleza e esperança em meio ao sofrimento.
Ainda assim, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, serve não apenas de alerta para a tragédia, mas também de homenagem a agentes públicos que perderam suas vidas nessa importante luta, convocando nosso olhar para atos de coragem que nos redimem e orgulham.
Longe dos salões encarpetados, auditoras(es) fiscais do trabalho – ao lado de policiais, membros do Ministério Público e da Defensoria, entre outras(os) – ainda arriscam suas vidas em zonas ermas e inóspitas, confrontando organizações criminosas que lucram com o desrespeito à lei e com a violação a direitos fundamentais. É uma luta de David contra Golias, mas com vários protagonistas.
Mesmo onde o Estado não chega, agregam-se integrantes da CPT, de congregações religiosas, repórteres investigativos e pesquisadores (como da GPTEC/UFRJ e do GPMAT/UFMT), assim como assistentes sociais e membros das COETRAEs, articulados para acolher pessoas resgatadas, entender as causas do problema e evitar reescravização.
Também o Poder Judiciário vem articulando juízas e juízes por meio do Fontet/CNJ e do Pete/CSJT, para colocar o “pé na estrada” e buscar honrar os compromissos de combate assumidos internacionalmente pelo Brasil.
Cabemos todos, afinal, nessa cruzada para debelar o sofrimento humano extremo (ilegal e vil) infligido às pessoas já vitimadas pela exclusão e pela injustiça social.
É dia, em conclusão, de lamentar menos e fazer mais, abandonando nossa própria omissão contemplativa para descobrirmos, enfim, como e onde podemos vestir nossa própria capa de heróis.