As últimas semanas trouxeram novos capítulos à longa disputa entre a necessidade de obras no Dique do Sarandi e a permanência das famílias que vivem na região. Após meses de ações judiciais, liminares e embargos, a Justiça finalmente autorizou a retomada integral das obras de elevação do dique, uma intervenção essencial para proteger Porto Alegre de novas enchentes.
A decisão mais recente envolve a reintegração de posse e a saída de 56 famílias, vinculadas ao plano habitacional proposto pela Prefeitura. Parte dessas famílias aceitou alternativas como o aluguel social e a Compra Assistida, do governo federal. No entanto, o maior impasse permanece: mais de 500 famílias, ao longo de dois quilômetros do dique, seguem sem definição quanto ao futuro.
Estamos diante de dois eixos inegociáveis: a urgência técnica da obra e o cuidado humano com quem será diretamente impactado. Embora parte das famílias já tenha sido atendida com soluções habitacionais, muitas ainda aguardam resposta. Isso gera um ambiente de insegurança, especialmente diante das precárias condições sanitárias de várias residências.
Como representante da população de Porto Alegre, considero nosso dever garantir que cada morador seja ouvido, orientado e respeitado. Estive pessoalmente na região, conversando com famílias e explicando a importância das obras. A elevação do dique é vital, mas também é vital que ninguém seja tratado como número ou obstáculo.
Nenhuma obra pode ser considerada plenamente bem-sucedida se não respeitar a dignidade de quem será impactado por ela. Que Porto Alegre consiga, enfim, conciliar a urgência das soluções técnicas com políticas públicas que acolham as pessoas.
Este é o compromisso que devemos assumir: obras para proteger a cidade, políticas para proteger as pessoas.