Falar sobre o futuro do Rio Grande do Sul é, necessariamente, falar sobre educação. Não como um conceito amplo, mas como um fator decisivo para o desenvolvimento social e econômico do Estado. Nos últimos anos, esse caminho ficou mais difícil.
A pandemia da Covid-19 comprometeu o ritmo de aprendizagem e ampliou desigualdades já conhecidas. Em 2020, estudantes do Ensino Médio tiveram acesso a pouco mais de um terço das aulas previstas, segundo o Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Depois disso, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de evasão escolar teve crescimento de 171% em 2022, um distanciamento crescente entre o jovem, a escola e as suas infinitas possibilidades de futuro.
Quando o sistema pareceu se reorganizar, as enchentes de 2024 voltaram a interromper calendários e desestruturar as rotinas dos gaúchos. Para muitos estudantes da rede pública, a sensação foi de ter, novamente, um percurso interrompido, como se o esforço nunca fosse suficiente para alcançar o próximo passo.
É nesse contexto que iniciativas como o programa Universitário do Amanhã, uma iniciativa do governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola do RS (CIEE-RS), ganham relevância. Ampliar o acesso à universidade exige preparação, acompanhamento e a construção de confiança de que esse caminho é possível.
Os números ajudam a dimensionar essa demanda. Em 2025, o programa registrou mais de nove mil inscrições e alcançou mais de 89% dos municípios gaúchos. Foram mais de 34 mil acessos à plataforma de estudos, um sinal claro de que há interesse, mas também uma lacuna que precisa ser preenchida com políticas públicas.
Em um cenário em que muitos jovens precisam conciliar trabalho e estudo, ou lidam com inseguranças acadêmicas, o acompanhamento próximo faz diferença. E o Universitário do Amanhã conta com suporte de monitores que auxiliam na permanência do jovem, no engajamento e na perspectiva de futuro.
A educação continua sendo o principal vetor da transformação social. Ignorar isso aprofunda desigualdades, limita oportunidades e compromete o desenvolvimento do Estado. Por outro lado, investir com estratégia e foco em quem mais precisa abre caminhos possíveis para transformar vidas e futuros.
Há 57 anos, o CIEE-RS aposta nesse caminho e está ao lado dos jovens gaúchos. Promovemos oportunidades que transformam vidas e negócios, gerando desenvolvimento social e profissional. Por isso, ampliar o acesso ao ensino superior não é apenas uma pauta educacional, mas uma escolha sobre o futuro que queremos construir no Rio Grande do Sul.