A partir de 2026, todas as escolas brasileiras terão a responsabilidade de incluir Computação em seus currículos, conforme determina a Base Nacional Comum Curricular da Computação (BNCC). O Brasil é o segundo país do mundo em tempo diário de uso de telas: 9 horas e 8 minutos, atrás apenas da África do Sul. Nas famílias, nas empresas e nas escolas, a vida acontece mediada pela tecnologia.
No entanto, tempo de exposição não significa qualidade de uso. A pesquisa TIC Educação 2024 mostra que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio utilizam inteligência artificial generativa para pesquisas escolares, mas apenas 32% recebem orientação adequada para usar essas ferramentas de forma crítica, segura e responsável.
Formar cidadãos digitais exige muito mais do que equipamentos, exige professores preparados. Ainda assim, somente 46% dos docentes participaram de formações sobre tecnologia no último ano. É nessa lacuna que está o grande desafio e a grande oportunidade para o país. Outra lacuna é a forma de implementação nas escolas.
A BNCC da Computação estabelece que a cultura digital deve ser trabalhada da Educação Infantil ao Ensino Médio, com foco em pensamento computacional, ética digital, segurança, autonomia e análise crítica dos impactos da tecnologia na sociedade. Mas surge uma questão: será que o ensino digital de forma transversal, como muitas instituições desejam implementar, é suficiente no mundo conectado de hoje para garantir a autonomia e o conhecimento necessários aos jovens em fase de formação? Ou essa implementação prevista na BNCC deveria ocorrer por meio de uma disciplina própria, voltada exclusivamente à educação digital com profissionais devidamente capacitados para passar às novas gerações conhecimento sobre as transformações do mundo digital?
Garantir a educação digital é um dever compartilhado entre escolas, famílias, Estado e plataformas. Se queremos jovens capazes de criar, interpretar, decidir e inovar e não apenas usuários passivos das telas, precisamos investir agora na formação de quem está na linha de frente e dar a devida relevância para o tema. A transformação já começou, falta garantir que ela chegue a todos.