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Educação financeira para combater o endividamento

Por ELISÂNGELA HESSE, diretora-presidente da RS-Prev

Cada novo número do endividamento no Brasil mostra um quadro preocupante. Em abril, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% dos consumidores tinham dívidas, o quarto recorde consecutivo. Além disso, 59% dos brasileiros, segundo o Datafolha, dizem ter ganhos insuficientes para pagar despesas.

O atual cenário, de juros ainda elevados e pressão da inflação, tende a tornar mais difícil o controle da inadimplência. Diante disso, iniciativas como um novo Desenrola para a renegociação de dívidas são meritórias, mas estão longe de enfrentar o principal desafio, que é a gestão do próprio dinheiro a longo prazo.

Como está a sua relação com o dinheiro? Você sabe quanto gasta por mês? Consegue reservar parte da sua renda? Essas perguntas são importantes para estimular o desenvolvimento de uma consciência sobre hábitos de consumo, planejamento e gestão da vida financeira.

O ato de renegociar dívidas deve ser visto menos como uma abertura para gerar novos passivos e mais como uma oportunidade para mudar hábitos. A educação financeira não trata apenas de economizar: é a capacidade de compreender e gerir os próprios recursos de forma responsável, com visão de médio e longo prazo.

Planejar o futuro do próprio dinheiro passa por organizar os gastos do presente, constituir reservas de emergência e preparar-se para a aposentadoria. Esse conjunto de práticas é o que garante segurança financeira em todas as fases da vida.

E essa conscientização deve começar desde cedo: de acordo com o Serasa Experian, dos mais de 82 milhões de inadimplentes do país, 11,2% têm de 18 a 25 anos. A RS-Prev tem promovido atividades voltadas à educação financeira e previdenciária para adolescentes da rede pública, capacitando os jovens para serem agentes dessa transformação.

Quanto antes trabalharmos esse tema, maiores serão os impactos positivos em suas vidas, nas suas famílias e na sociedade como um todo. Nesse processo, é fundamental transformar informação em prática. Falar sobre orçamento, consumo consciente, previdência e planejamento não deve ser algo restrito à vida adulta ou aos momentos de dificuldade.

O momento é grave, mas existem caminhos concretos a percorrer. A educação financeira – individual e coletiva – é um passo necessário para superarmos esse desafio e construirmos um futuro mais próspero, mais estável e mais seguro para todos.