Apesar dos reflexos econômicos devastadores causados pela pandemia, a mulher rural se destaca neste cenário e alcança uma visibilidade mundial positiva. Elas se reinventam a cada dia com autoalfabetização nas tecnologias da comunicação e mostram que, além de existirem no campo, também agem, comandam, inspirando líderes e produtores rurais de qualquer parte do mundo. A maior qualidade que a mulher rural tem hoje nas mãos, certamente, é de ser a verdadeira influenciadora, não somente das redes sociais, mas no sentido literal da palavra.
O poder de influência feminina pode ascender ou destruir, tanto ela própria quanto os que estão em sua volta. A mulher rural finalmente se deu conta disso e está usando seu valor a favor da defesa do setor agropecuário mostrando orgulho no que faz, afinal, elas lideram cerca de 19% das propriedades que geram 21% do Produto Interno Bruto Nacional (PIB). As mulheres do campo foram responsáveis por quase R$ 300 bilhões em riquezas do país em 2019.
Nunca no segmento do agro se falou tanto em comunicação e, pessoalmente, na condição de comunicadora do agro há mais de 20 anos, fico muito feliz sobre este aspecto. Porém, o homem ou a mulher do campo vão precisar se esforçar um pouco mais e contar ao mundo como se faz, mostrar como planta e como cria. Não basta baixar a cabeça e produzir para entregar um produto ao mercado, é preciso enaltecer suas qualidades, expor a sustentabilidade envolvida no processo, não importando o tamanho que o negócio possua, pois há uma legião de futuros consumidores exigindo isso cada vez mais.
Temos o melhor agronegócio do mundo em termos de sanidade e sustentabilidade, mas não transformamos esses dados em percepção. Temos também eficazes instrumentos de comunicação para informar ao consumidor, mas, para isso, é preciso investir e acreditar nas tecnologias e nos profissionais da comunicação brasileira a favor do agro. É claro que ainda há uma longa jornada a percorrer em direção a uma concreta igualdade. Ser uma figura feminina atuante imersa em um cenário tradicionalmente formado por homens é um desafio. Entretanto, levantamentos, pesquisas, reportagens por todo o país só consolidam o que vivemos no campo: a representatividade feminina no agronegócio. Quer contribuir para criarmos uma rede ainda mais forte?
*Jornalista