Artigos

Enchente um ano depois: heróis anônimos e o orgulho em pertencer à BM

Por Cláudio dos Santos Feoli, coronel e comandante-geral da Brigada Militar

O mês de maio nos rememora os eventos que vivenciamos na enchente do ano passado. Os números foram superlativos: 478 municípios atingidos, mais de 500 mil desabrigados e desalojados e 184 vidas perdidas. Em uma união de esforços com voluntários, Exército Brasileiro, forças de segurança pública, sociedade civil organizada e polícias militares de outros estados, em meio à hecatombe, 18 mil brigadianos desempenharam um papel decisivo para além da manutenção da ordem pública, que é uma das funções constitucionais da instituição.

Poderíamos falar sobre os mais de 25 mil salvamentos ou sobre o patrulhamento embarcado, que provou a capacidade de adaptação da Corporação à realidade transitória. Poderíamos mencionar as centenas de brigadianos que atenderam ao chamamento da sociedade e voltaram à ativa para cuidar da segurança nos abrigos. Também poderíamos lembrar 2024 como o ano mais seguro da história do Estado, mesmo ante previsões de crise na segurança pública profetizadas por setores da sociedade para o pós-inundação.

Mas, acima de tudo, falamos sobre o espírito público, o compromisso inabalável e o desprendimento que moveu os nossos policiais militares durante a enchente. Mais de 900 deles tiveram perdas – muitos perderam tudo – e seguiram exercendo o trabalho vocacionado e orientado a cuidar da comunidade.

Foram heróis anônimos, materializados na cooperação da corrente que passa os donativos de mão em mão para chegar a quem precisa, no braço estendido que resgata, na chegada esperada e na palavra de esperança em dias melhores. Heróis anônimos são aqueles que às vezes passam despercebidos no turbilhão do dia a dia, mas que fazem da missão as suas vidas e das suas vidas uma missão, como vimos, durante a enchente, nos nossos policiais militares.

Ao observarmos os ecos do passado recente sob a ótica do agora, percebemos que as peleias vividas, os laços criados e as lições aprendidas reforçam a resiliência e o senso de dever dos nossos efetivos e se incorporam como pilar ao DNA brigadiano. A cada vestir de farda, portamos a história de 187 anos de serviços prestados ao Rio Grande e reafirmamos a nossa missão, que, hoje, se alicerça, também, no orgulho do trabalho realizado durante a maior catástrofe climática do Estado. Que a memória daqueles dias nos siga inspirando, permanentemente, a seguirmos firmes na missão de proteger, servir e cuidar da sociedade gaúcha.