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Entre alertas e alarmes, o debate sobre o El Niño

Por DIEGO BRANDÃO, educador de Geografia do Colégio Marista Rosário

Por que voltamos a falar tanto sobre o El Niño em 2026? Depois dos eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, é natural que exista uma atenção maior diante de qualquer alerta meteorológico. Ao mesmo tempo, esse cenário também pode alimentar a chamada ansiedade climática, marcada pela insegurança em relação ao futuro e aos impactos cada vez mais intensos da natureza.

Segundo material publicado pela Harvard Health Publishing, tal circunstância que envolve a saúde mental se dá especialmente por uma condição dada a partir da incerteza diante de um futuro em que a natureza e seus fenômenos assumem intensos e diversos desdobramentos.

Os prognósticos de um possível “Super El Niño” aumentam essa preocupação. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera ventos e pressões atmosféricas, influenciando o clima em várias regiões do planeta. No sul do Brasil, costuma estar associado ao aumento das chuvas.

Mas é preciso responsabilidade no tratamento dessas informações. O El Niño é um fator importante, porém, sozinho, não explica tragédias como as recentes enchentes no Estado. Em 2024, além do fenômeno, houve influência de bloqueios atmosféricos, dos rios voadores amazônicos e das temperaturas do Atlântico Sul. Vale lembrar que eventos climáticos extremos são resultado da combinação de diferentes dinâmicas, muitas delas difíceis de prever.

Ainda assim, os sinais de alerta são claros. Especialistas apontam alta probabilidade de aumento no volume de chuvas e ignorar esse cenário seria um erro. Enquanto cidades e famílias ainda tentam reconstruir suas vidas após o pior desastre climático da história do RS, o momento exige preparo e prevenção.

A responsabilidade com a informação está em agir antes que o pior aconteça. É o momento de nossas autoridades, a Defesa Civil e a sociedade atuarem de forma preparada a partir dos sinais que já temos. Estratégias de mitigação, prevenção de enchentes, melhorias no escoamento urbano e reforço de estruturas não podem depender apenas de alertas emergenciais. O risco existe e a diferença estará na capacidade de antecipação da sociedade e das autoridades diante de um planeta em transformação.