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‘Eu Respeito’: quando o cuidado começa antes da violência

Por JULIANE LAZZARI TOMAZINI, primeira-dama de Farroupilha

A violência doméstica é uma ferida silenciosa que atravessa gerações. Ela não começa com um grito ou um empurrão. Muitas vezes, nasce de padrões repetidos, de silêncios cultivados, de dores que nunca foram nomeadas. São marcas invisíveis que se perpetuam dentro das famílias e que, se não forem interrompidas, seguem moldando comportamentos e relações. Em Farroupilha, decidimos olhar para essa realidade com coragem e compaixão. Foi assim que nasceu o programa “Eu Respeito”.

Idealizado pelo nosso gabinete, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde e a Associação Farroupilhense Pró-Saúde, o “Eu Respeito” é uma iniciativa inédita no Estado. Ele oferece acolhimento voluntário a homens que reconhecem comportamentos violentos no ambiente familiar e desejam buscar ajuda. Sem julgamentos. Sem burocracia. Com escuta ativa e orientação profissional. É um espaço pensado para quem deseja mudar, para quem entende que o respeito é o primeiro passo para reconstruir vínculos e transformar histórias.

Nas conversas com psicólogos, assistentes sociais e lideranças da rede de proteção, percebemos que muitos homens não têm consciência de que estão praticando violência. Reproduzem o que viveram, sem saber que estão ferindo. Carregam padrões aprendidos na infância ou na convivência social, sem perceber que perpetuam a dor. O “Eu Respeito” surge justamente para quebrar esse ciclo, oferecendo reflexão e transformação antes que a violência aconteça ou se repita. É uma porta aberta para quem deseja se responsabilizar e encontrar novos caminhos de convivência.

O atendimento é gratuito, confidencial e acessível. Funciona no Centro de Atenção Psicossocial I, de segunda a sexta, das 9h às 18h, sem necessidade de agendamento. É simples, direto e humano. Um convite à mudança, à responsabilidade, ao cuidado com quem se ama. Ao buscar ajuda, esses homens não apenas evitam que a violência se instale, mas também constroem relações mais saudáveis, fortalecendo famílias e comunidades.

A proposta já recebeu reconhecimento da Secretaria Estadual da Mulher, que destacou seu caráter pioneiro. Isso nos mostra que estamos no caminho certo. Mas mais importante que qualquer aclamação é saber que estamos oferecendo uma chance real de reconstrução – para famílias, para relacionamentos, para vidas inteiras que podem ser transformadas. Cada atendimento é uma oportunidade de interromper um ciclo de dor e abrir espaço para o diálogo, para o afeto e para o respeito.

Prevenir é cuidar antes que doa. E Farroupilha escolheu cuidar. Porque respeitar é amar. E amar é transformar. Que este programa inspire outras cidades, outras lideranças e outras comunidades.