O feminicídio não é um crime comum. É a forma mais extrema da violência de gênero e revela uma sociedade que ainda falha em proteger suas mulheres. Cada assassinato cometido pelo simples fato de a vítima ser mulher carrega uma sucessão de omissões, alertas ignorados e pedidos de ajuda que não receberam resposta a tempo.
No Rio Grande do Sul, os casos de feminicídio continuam a chocar e entristecer. Mas não podem mais surpreender. Na maioria das vezes, essas mortes são precedidas por ameaças, agressões, perseguições e medo constante. O feminicídio é o último capítulo de uma história de violência que foi anunciada e, ainda assim, não interrompida.
É preciso afirmar com clareza: nenhuma mulher morre por acaso. Muitas denunciaram, buscaram proteção, recorreram ao Estado. Quando essa proteção não chega, o poder público falha, e a sociedade também. Enfrentar o feminicídio exige sair da lógica do lamento após a tragédia e investir, de forma permanente, em prevenção e proteção.
Como deputado estadual, defendo que o combate à violência contra a mulher seja prioridade real. Isso significa fortalecer delegacias especializadas, garantir o cumprimento rigoroso das medidas protetivas, ampliar a rede de acolhimento e oferecer instrumentos eficazes de defesa. Mas significa, sobretudo, agir antes que a violência escale ao ponto irreversível.
Também é fundamental romper o silêncio cultural que normaliza o controle, o ciúme excessivo e a agressão. Violência não é demonstração de amor. E não é um problema privado. É um crime que precisa ser combatido com educação, responsabilização e ação firme do Estado.
Nenhuma mulher deve viver com medo dentro de casa, na rua ou em qualquer espaço. Defender a vida das mulheres é defender a dignidade humana. Enquanto houver feminicídio, não podemos nos calar. O silêncio também mata.