Fernando Affonso Gay da Fonseca rotineiramente ocupava este espaço com artigos densos sobre o cotidiano, a política, o Brasil, o mundo e as relações internacionais, reflexo do tempo que representou o país na ONU. Em “Olhares”, seu último livro, 2015, a editora Elisiane da Silva e eu, corredator, coletamos textos e diversos artigos seus do Correio do Povo. Curiosamente o que mais nos chamou a atenção foi que todos tinham harmonia, uma visão aberta e uma mensagem, independentemente do assunto que o professor enfrentava.
Ele nos deixou faz cinco anos. Político que praticava e defendia a democracia cristã, um ser social por excelência, foi diplomata, senador, parlamentar, além de ter exercido funções públicas nos governos federal e estadual. Ficou um legado de exemplos no campo das relações humanas e na prática permanente da ética, hoje tão esquecida, e do exercício pleno da política pelo bem comum.
Mas foi notabilizado como educador e fundamentalmente como professor, tendo lecionado sociologia e filosofia até quase os 85 anos. Costumava dizer, com a sua simplicidade natural, que o difícil não era dar aulas, mas prepará-las. Aos 17 anos, lecionava latim no antigo Colégio Anchieta, em Porto Alegre, oportunidade em que começou a veranear com seus pais no balneário Ipanema, zona sul de Porto Alegre, onde acabou residindo por quase 80 anos.
Lá constituiu família, preparava aulas e se dividia entre Porto Alegre, Brasília e o mundo. Era sua zona de conforto, seu ponto de equilíbrio, de paz, de receber amigos, de pensar e exercer sua maior virtude, ouvir sem julgar. Foi colaborador do jornal do bairro, fundador da Associação dos Amigos do Bairro Ipanema, envolvendo-se com a comunidade sempre que lá estava.
Com a convicção de que a história tem que ser lembrada, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou a denominação de uma pequena rótula de Professor Fernando Affonso Gay da Fonseca, a qualificação que mais o deixava honrado. Fica a poucos metros da residência onde viveu sua longa história de vida.
Dias atrás, familiares, vizinhos, o presidente da Câmara, vereador Idenir Cechim, e o ex-vereador Reginaldo Pujol, representando o Legislativo, descerraram a placa com o nome do professor Gay da Fonseca, justamente no coração do bairro que sempre amou, aliás, como costumava referir quando lá chegava: um país livre amigo do Brasil.
*Escritor e publicitário