Cada vez mais pessoas querem saber quem produz aquilo que levam para casa. Comprar diretamente de quem faz é mais do que uma transação: é uma escolha política pela sustentabilidade, pela economia local e pelo trabalho coletivo. Em tempos de crise climática, práticas como o comércio justo e o consumo consciente deixam de ser alternativas e passam a ser necessidade.
A economia solidária é uma dessas respostas. Movimentos que antes avançavam silenciosamente agora ocupam o centro da cidade — e do debate público. A 27ª Feira Estadual da Economia Solidária, de 1º a 13 de dezembro no Largo Glênio Peres, revela, na prática, que outro modelo econômico está em curso: um modelo que gera renda, inclusão e sustentabilidade sem abrir mão da identidade, da criatividade e dos vínculos comunitários.
Mais que uma feira, é um território vivo de trocas, onde a cooperação substitui a lógica concentradora do mercado tradicional. Mais de 300 empreendimentos de todas as regiões do estado apresentam alimentos da agricultura familiar, artesanato autoral, confecções criativas e produtos feitos em pequena escala, com afeto e responsabilidade ambiental. É a prova de que desenvolvimento e justiça social não são caminhos opostos.
A ampliação para duas semanas responde à crescente busca por produtos com história e origem reconhecível. Nesse mesmo espírito, a programação inclui debates estratégicos com governos, movimentos sociais e universidades para fortalecer o setor. A previsão de 600 mil visitantes evidencia a potência desse vínculo entre quem produz e quem consome, especialmente após os extremos climáticos que atingiram tantas famílias e empreendimentos.
As feiras são espaços de convivência, memória e construção comunitária. Celebrar quase três décadas de feira é celebrar resistência e futuro. O caminho para um desenvolvimento mais justo passa por gestos simples — como levar a própria sacola — e por escolhas coletivas que fortalecem quem produz. O convite está feito: venha ao Largo Glênio Peres, viva essa experiência e participe de um movimento que transforma territórios e anuncia o futuro que já começou.