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Guerreiros esquecidos na névoa da história

Por Landro Oviedo, professor, escritor, advogado

Hoje é uma data importante para os gaúchos porque configura a passagem daquela que é considerada a data magna do Rio Grande do Sul. Os feitos e os fatos do passado devem servir para a reflexão que ajuda a configurar uma identidade em comum e que também busca resgatar valores e figuras esquecidas por uma história que não costuma ter como norte perenizar as memórias dos vencidos nem dos anônimos que lutaram a favor dos vencedores. Um exemplo disso está no fato de que não se conhecem os nomes daqueles que compuseram a unidade dos lanceiros negros, que pelejaram na Guerra dos Farrapos a favor da República Rio-Grandense, sob promessa de alforria, que, em geral, resultou não cumprida. Esse exército de despossuídos, comandados pelo general David Canabarro, acabaria massacrado pelos imperiais depois de um suposto acordo entre Canabarro e Luiz Alves de Lima e Silva, então Barão de Caxias, para se livrarem dos guerreiros farroupilhas que exigiam o cumprimento do acordo de libertação.

Esses gaúchos sem nome e sem honras estão muito bem representados em uma canção levada ao palco da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1981. Composta por Francisco Alves e imortalizada por Leopoldo Rassier, “Sabe, moço” conta a história de um sobrevivente às guerras gaúchas que nunca teve o reconhecimento merecido enquanto outros que não fizeram nada perto de suas façanhas recebiam o louvor e as honras por méritos que nunca tiveram. Assim ele expõe sua inconformidade e frustração:

Sabe, moço
Depois das revoluções
Vi esbanjarem brasões
Pra caudilhos coronéis

Vi cintilarem anéis
Assinatura em papéis
Honrarias para heróis
(...)
E o que restou?
Ah, sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou pra mim,

Este é um caso em que a arte reflete a vida. No cotidiano, nem todos recebem o devido reconhecimento. Na história também, a exemplo do vilipendiado João Cândido, o Almirante Negro. É preciso realizar o resgate de vidas perdidas na névoa do tempo. Um exemplo: quando se terão os nomes dos milhares que morreram desconhecidos nos combates da epopeia farroupilha?