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Guilherme Socias Villela

Por Eduardo Battaglia Krause, advogado e escritor

Éramos muito diferentes. Foi, talvez, o que nos aproximou. Quando ingressei na Secretaria do Planejamento, 1975, ele já era prefeito de Porto Alegre, distância impensável. Um acidente que não se explica, se conta, me levou, já advogado, a coordenar o jurídico da Secretaria dos Transportes. Ele o secretário, eu, a bem da verdade, reserva do reserva do gabinete que, por justiça, era composto por brilhantes homens públicos. O governador era Antônio Britto. Aplaudam ou não, uma mudança na economia e no desenvolvimento do RS, cujos resultados não vieram a galope, o gaúcho, por natureza chimango ou maragato, é o que é, mas o tempo mostrou.

Villela contrariava o ditado, como sabia o que queria, sempre achava o que procurava. Decidia no rumo certo. Foi figura marcante na gestão pública de todas as esferas, União, Estado, município. Foi prefeito, secretário de Estado, parlamentar, atuou em Organismos da União e Internacionais. Aliava estudo, preparo, planejamento e ação. Teve mais, pelas tantas, me chamou a acompanhá-lo a uma agenda com um empreendedor e seu assessor. No meio da conversa, Villela perguntou se o interlocutor não era do extinto Deprec, vinculado à Secretaria. Resposta cirúrgica: “Sou, mas consultei previamente meus advogados”. Ao que Villela sentenciou: “Não lhe perguntei pelo aspecto legal, mas pela moral”.

O currículo de Guilherme Socias Villela está no Google, mas lá não consta o que transbordava nele, a seriedade, a retidão, a ausência de captura, o respeito à coisa pública e a ética, qualidades inerentes que dele não se desapegavam, aliás, hoje raras. Era amigo na acepção da palavra. Este artigo não lamenta a perda dele, afinal, conviver com um amigo verdadeiro por tanto tempo é uma benção. Assim, não escrevo por mim, mas pelos inúmeros amigos que viam nele o exemplo e a pessoa especial que ele era. Por 40 anos dividimos uma mesa, inicialmente na Churrasquita, depois na Santo Antônio, do Jorge, e, nos últimos 20 anos, no Barranco, do Furini, os muitos que por lá passaram, foram privilegiados e testemunharam um pouco desta história de reconhecimento.