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O mês de janeiro de 2026 registra mais uma grave interrupção no atendimento do INSS. O instituto confirmou que não haverá atendimento presencial nas agências nos dias 28, 29 e 30 de janeiro devido a mudanças sistêmicas solicitadas pela Dataprev. Além disso, os serviços do Meu INSS e a Central 135 ficarão indisponíveis das 19h do dia 27 até 31 de janeiro.

Embora o INSS alegue que a paralisação visa a "modernização" para garantir estabilidade e segurança, usuários e servidores enfrentam um problema histórico: interrupções frequentes e falta de planejamento. A crise é persistente; há 46 anos, reportagens já denunciavam a lentidão na análise de benefícios sob promessas de soluções em 48 horas. Quase cinco décadas depois, a realidade são filas recordes.

Atualmente, o INSS lida com a maior fila de sua história, somando três milhões de requerimentos pendentes. Entre janeiro e novembro de 2025, o volume de pedidos cresceu 23%, com média mensal de 1,3 milhão de solicitações. Essa fila representa milhões de cidadãos sem renda e sem perspectiva de atendimento.

Para os servidores, o cenário é de sobrecarga, metas excessivas e falta de pessoal. A adoção da fila nacional de análise não resolve o problema central: sistemas precários e ausência de investimento estrutural.

A Dataprev informou que os impactos irão além de janeiro. Módulos essenciais, como revisão de benefícios e Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), seguirão indisponíveis, com retorno previsto apenas para fevereiro e março. Mesmo após a retomada, são esperadas inconsistências técnicas que podem gerar novos atrasos.

O sindicato denuncia que esta indisponibilidade não é um fato isolado, mas parte de uma gestão que mantém o órgão em crise permanente. Modernização não pode resultar em fechamento de agências e negação de direitos. A demora na concessão, prometida como resolvida há décadas, continua sendo o cotidiano cruel da população brasileira.