“Um ataque virulento provocou pânico, medo e incertezas no mundo. Perda de milhares de vidas, crise econômica, interrupção do transporte aéreo, rigorosos protocolos de segurança e mudança nas formas de convivência.”
Curiosamente, tal descrição tanto retrata os problemas e desafios da pandemia quanto o impacto e consequências dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Similaridade entre dois eventos que alteraram o curso deste século, motivando a analogia entre o destino das torres e a atual crise na saúde e na economia. Afinal, mesmo após um ano da primeira fatalidade por Covid-19, da alocação de centenas de bilhões de reais e vários períodos de isolamento social, o balanço atual da pandemia aponta que tanto a saúde quanto a economia vivem seus piores momentos.
A saúde enfrentando o maior nível de contágio e demanda por leitos de UTI e a economia dando alarmantes sinais das empresas não suportarem mais perdas, prenúncio do aumento do desemprego, juros e pressão inflacionária. Assim está sendo na indústria automotiva. A obrigação de as montadoras, indústria de autopeças e concessionárias de veículos permanecerem total ou parcialmente fechadas em 2020 fomentou a desorganização das cadeias produtivas. Tudo resultando em cortes de pessoal, falta de insumos e componentes e necessidade de parar a produção. Como ocorre, agora, na unidade da GM em Gravataí, que concedeu férias coletivas em março e suspenderá os contratos de trabalho em abril e maio.
Tais cenários derrubam as perspectivas de um retorno à normalidade ainda em 2021. Indicando que o embate para definir prioridades entre saúde e economia tem se mostrado estéril e desgastante, haja vista os destinos de ambos serem dependentes e interligados. <TB>Assim, entre todas as razões, não há uma maior que não seja a união de todos, evitando prolongar ou agravar a crise viral, para não sermos, vinte anos depois, gravemente atingidos, não pela queda das torres, mas pela queda da economia.
*Presidente Sincodiv/Fenabrave-RS