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Inverno, emergências cheias e o valor dos pediatras

Por Daniel Sauer Wolff, pediatra e membro da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS)

Mais um dia de plantão. Lá vou eu de novo para o hospital, de dia, de noite, feriado ou fim de semana. A gente que é pediatra está sempre de prontidão. Atendemos todo mundo: filhos de professores, de juízes, de jogadores de futebol e até de médicos. Sim, colegas da medicina que nos confiam os cuidados com seus próprios filhos.

E quando o inverno chega, a emergência parece virar um hospital inteiro por conta própria. É fila na recepção, espera na sala de medicação, crianças tossindo, febris, cansadas e pais preocupados. Como não estariam?

Mesmo hospitais “super” bem-estruturados, como o Moinhos de Vento, que está entre os melhores da América Latina, enfrentam superlotação. A capacidade chega ao limite e, ainda assim, seguimos atendendo com o mesmo cuidado de sempre.

Muita gente vem com aquela dúvida: “Será que é só uma virose?”. Mas, olha, o médico só pode dizer que é só uma virose depois de descartar outras doenças mais graves. Lembrando que dengue, meningocócica e influenza são viroses ou infecções que exigem atenção e, em alguns casos, internação. Por isso, o pediatra precisa estar atento a cada detalhe, para separar o que é leve do que pode virar algo mais sério. E isso não dá para fazer com pressa.

A verdade é que menos de 5% dos casos que chegam à emergência são realmente graves. Porém, a triagem precisa ser cuidadosa e, para isso, precisamos de profissionais bem preparados, tanto nos hospitais privados quanto no Sistema Único de Saúde (SUS). Diagnosticar com precisão faz toda a diferença.

Além disso, é fundamental ter estrutura física adequada, equipes completas e suporte laboratorial ágil. Esses elementos garantem não só um bom diagnóstico, mas, também, a segurança e o acolhimento de quem chega em momentos de angústia.

Agora, se você é pai ou mãe e quer tentar evitar uma ida desnecessária ao hospital, aqui vão algumas dicas simples: mantenha as vacinas do seu filho em dia (como gripe, meningocócica, pneumococo e, para os pequenos, o novo imunizante contra o vírus sincicial); na primeira febre, tente contato com o consultório antes de ir direto à emergência; tenha um pediatra de confiança — alguém que conheça seu filho e possa orientar com segurança; faça os acompanhamentos regulares com o pediatra.

E quando não tiver jeito e for preciso ir à emergência, respire fundo. Tenha calma. A equipe está ali por você e pelo seu filho. Médicos, enfermeiros, recepcionistas, seguranças. Todos deixaram suas famílias em casa para cuidar da sua.