O Laboratório Central do Estado do Rio Grande do Sul (Lacen-RS) completa 123 anos neste 31 de julho, sustentando silenciosamente a saúde pública gaúcha. Desde 1902, atua no diagnóstico de doenças, controle de qualidade da água e alimentos, e apoio à vigilância epidemiológica. Esteve presente em todas as grandes epidemias, da varíola à Covid-19, com um trabalho técnico que salvou incontáveis vidas.
Durante a pandemia, o Lacen se reinventou, operou com recursos escassos, ampliou sua capacidade diagnóstica e foi essencial no enfrentamento da crise sanitária. Mas, enquanto a sociedade aplaudia, o Estado ignorava. Não houve valorização salarial, investimentos em infraestrutura ou sequer a modernização da rede elétrica para suportar novos equipamentos. O reconhecimento veio apenas em forma de uma menção honrosa: simbólica e insuficiente.
A desvalorização se agravou com a recente reestruturação de carreiras do governo estadual. Servidores experientes, com décadas de dedicação, foram esquecidos. Com mais de 25 anos de serviço, muitos sequer foram reenquadrados na metade da nova carreira. Um desrespeito com quem faz a saúde pública funcionar.
Mesmo diante das enchentes de 2024-2025 e da epidemia de dengue, o Lacen não parou. Inovou em diagnósticos, enfrentou surtos de leptospirose e atuou com excelência – sempre com recursos limitados e profissionais desvalorizados.
Valorizar esses servidores não é gentileza. É responsabilidade. Defender o Lacen é defender o SUS e o direito à saúde da população. No aniversário de 123 anos, mais do que palavras, o que se exige é investimento, reconhecimento e respeito.