Vamos completar um ano das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. Começando em 27 de abril, as fortes chuvas afetaram mais de 470 cidades, ceifaram mais de 180 vidas e desalojaram cerca de 600 mil pessoas. Estado inteiro afetado e áreas como os vales dos rios Taquari, Caí, Pardo, Jacuí, Sinos, Gravataí, além do Guaíba em Porto Alegre e da Lagoa dos Patos em Pelotas e Rio Grande foram fortemente impactadas.
Hoje se sabe que a situação foi agravada por uma quimera de eventos como uma forte corrente de vento (que reteve as águas dentro da Lagoa dos Barros), umidade vinda da Amazônia e uma onda de calor central no país. Fatores anormais que, combinados, geraram uma sequência de eventos cujos efeitos foram sentidos em várias áreas em diferentes escalas. As enchentes causaram destruição significativa em infraestruturas, deixando muitas comunidades ilhadas e sem acesso a serviços essenciais.
A falta de planejamento, de resiliência e de gestão de riscos deixou o Estado parcialmente inoperante e algumas lições ficaram e que devem ser estudadas e devidamente entendidas. Os eventos climáticos extremos vão se repetir e precisamos estar preparados para enfrentar estas situações com inteligência e planejamento. Desenvolver políticas públicas que integrem considerações climáticas em diversas áreas, como uso do solo, saúde e transporte, para criar uma abordagem abrangente e coordenada.
Pensar em planejamento e serviços urbanos com investimentos em infraestrutura sustentável e que possam mitigar impactos climáticos, como diques e sistemas de drenagem eficientes. Implementar sistemas de alerta para eventos climáticos extremos, para que as comunidades possam se preparar e responder de forma eficaz, e isso deve incluir treinamentos sobre situações de emergência. Comunidades devem identificar suas necessidades específicas e desenvolver soluções adaptadas a essas necessidades.
E, obviamente, promover a conservação de ecossistemas naturais, como mata ciliar de todas as bacias envolvidas, e fortalecer uma maior integração com uma política estadual de acumulação de água e construção de reservatórios nos rios, que atuam como barreiras naturais contra eventos climáticos extremos.