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Lições para 2025

Por Gilberto Jasper, jornalista

A chegada do final do ano produz um fenômeno inconsciente em todos nós. É o “efeito balanço”, no qual olhamos para trás para captar fragmentos de episódios marcantes da jornada. Estes retalhos são distribuídos de forma imaginária em uma “ficha cadastral”, dividida em duas colunas, do tipo “perdas” e “ganhos”. Cada ano nos reserva desafios únicos e outros rotineiros, mas que se agravam ou se minimizam conforme o andar da carruagem. 2024 reservou adversidades que há décadas pareciam que jamais se repetiriam em nosso cotidiano. Falo da tragédia das enchentes que assolou o Rio Grande do Sul. Em algumas regiões, como no Vale do Taquari, o fenômeno se repetiu por três vezes, de forma intensa, no curto espaço de sete meses, destruindo vidas e patrimônios.

A onipresença de ferramentas de comunicação cada vez mais modernas se tornou marcante. Isso, no entanto, não impediu que a radicalização e a beligerância fossem marcas registradas do ano que finda. Guerras, atentados, tentativas de golpe, destruição. Episódios deste tipo se repetiram com frequência. A maioria perdura, sem solução aparente, deixando a impressão que 2025 será a extensão destas bestialidades.

A coluna de “ganhos” pode ser preenchida com o prodígio da solidariedade que marcou o histórico episódio das cheias em nosso Estado. O país e parte do mundo se cotizaram para mitigar as consequências da devastação. Poucas vezes na história do Brasil se viu uma mobilização tão intensa e heterogênea, resultado da sensibilidade de inúmeros segmentos unidos no intuito de ajudar.

O caráter humanitário dos gaúchos foi muito além da arrecadação de gêneros alimentícios, roupas e material de construção. O reerguimento gradativo contou com a união para levantar pontes, remendar estradas, levantar paredes de escolas e para milhares de abrigar flagelados.

Ainda temos centenas de conterrâneos que moram de favor, em abrigos improvisados e casas de familiares e amigos. Aos poucos, a página da devastação vai ficando no passado, deixando, todavia, lições importantes.

Este capítulo marcou a necessidade de um olhar diferenciado da natureza, da importância da cobrança permanente dos eleitos para cuidar de nossas vidas e da importância da solidariedade. Sem estas preocupações, não há otimismo que resista neste ano que está por chegar.