Quando falamos em universalização do saneamento, pensamos naturalmente em novas redes, estações de tratamento e mais pessoas com acesso a serviços essenciais. Mas a transformação que está acontecendo no Rio Grande do Sul produz efeitos que vão além da infraestrutura. Ela movimenta o mercado de trabalho, amplia oportunidades para empresas e desenvolve conhecimento nas regiões onde os investimentos acontecem.
Na Corsan, nosso patamar anual de investimentos passou de aproximadamente R$ 400 milhões para cerca de R$ 1,5 bilhão. Mas, antes que estes recursos se transformem em obras, são necessários projetos de engenharia, compra de materiais, contratação de serviços, mobilização de empresas e geração de empregos. Os números ajudam a dimensionar este movimento. Somente no primeiro bimestre deste ano, a Companhia admitiu cerca de 1,1 mil profissionais. Considerando os três anos da gestão privada, já são mais de 6,8 mil contratações. Atualmente, outras 250 vagas estão abertas em diferentes municípios gaúchos, em áreas como engenharia, operação, manutenção, tecnologia, recursos humanos, segurança do trabalho e eletromecânica.
Ampliar oportunidades significa também aproximar profissionais e empresas deste novo ciclo. O Chega Junto, por exemplo, é uma iniciativa para fortalecer o desenvolvimento de fornecedores locais e ampliar a competitividade de empresas na cadeia de investimentos. Já o Experiência que Movimenta valoriza profissionais com 50 anos ou mais, reconhecendo que conhecimento e experiência são ativos importantes para uma operação cada vez mais complexa. Neste contexto, a expansão exige qualificação. Automação, monitoramento remoto, novas tecnologias de tratamento e eficiência operacional fazem parte dos sistemas que estão sendo implantados. Preparar profissionais para essa realidade significa deixar, além da infraestrutura, conhecimento e capacidade técnica no Estado.
O impacto também acontece nas economias locais. Obras e novos sistemas demandam equipamentos, insumos, tecnologia, transporte, manutenção e serviços especializados. Quando empresas e profissionais das próprias regiões são mobilizados, parte dos recursos investidos circula e permanece nos municípios. Por isso, o saneamento deve ser compreendido também como uma agenda de desenvolvimento. Cada obra pode gerar empregos; cada contrato, oportunidades para empresas; cada nova operação, demanda por conhecimento. E cada profissional capacitado contribui para uma cadeia que continuará ativa muito depois da conclusão de uma obra ou estrutura.
O legado da universalização não estará apenas nas redes e estações que construirmos. Estará também nas pessoas preparadas, nas empresas mobilizadas e na capacidade que desenvolvemos para manter e ampliar essa infraestrutura ao longo das próximas décadas.