A maior tragédia da história do Rio Grande do Sul, para além de toda a dimensão humana e material que afetou milhões de gaúchos,
é também sintoma do momento que vive o planeta. E, infelizmente,
nosso Estado foi mais uma vítima das mudanças climáticas.
Quatro enchentes em menos de um ano arrasaram Porto Alegre e inúmeros municípios gaúchos, numa escala jamais vista — e para a qual
nenhuma cidade teria como se preparar a tempo. Não se trata de transferir responsabilidades, mas de reconhecer que precisamos agir, pois esses eventos tendem a ser recorrentes e maiores.
Para além da reconstrução, será preciso acelerar a adaptação e resiliência das nossas cidades frente às mudanças climáticas. Porto Alegre
já estava fazendo sua lição de casa, preparando-se e desenvolvendo seu
Plano de Ação Climática (Plac), num trabalho que envolve todos os órgãos e secretarias municipais. As tragédias climáticas cada vez mais frequentes, entretanto, nos exigem a antecipação da execução dos projetos
de adaptação e das medidas de enfrentamento.
Cabe lembrar que o Plano de Ação Climática surgiu de uma cooperação com o Banco Mundial, ratificada na COP27. Seguindo metodologias
internacionais do Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas, o documento é o nosso norte para as medidas de redução de emissões de gases de
efeito estufa, mitigação e adaptação ao clima.
O estudo começou em março do ano passado, identificando as principais fontes emissoras de gases do efeito estufa na Capital, além dos principais riscos climáticos aos quais estamos sujeitos. A partir desse amplo
diagnóstico, teremos condições de implementar medidas concretas para
agirmos em cada área e de forma integrada, com o objetivo de zerarmos
as emissões até 2050. A proposta da revisão do Plano Diretor, por exemplo, já traz essa visão atrelada.
O Plac está em sua última fase e, um pouco antes da tragédia de maio,
abriu sua fase de participação popular, pela qual os cidadãos podem opinar.
Em menos de um mês, foram mais de 5,8 mil contribuições recebidas — e
nossa previsão é de apresentar o plano no mês de julho. A enchente histórica que enfrentamos nos deixou mais evidente a necessidade de ampliação de investimentos, especialmente em drenagem e plantio de arborização urbana.
Um trabalho feito por muitas mãos e cuja implementação necessitará da
força de todos. Somos um só planeta e compete a cada um de nós fazer sua
parte por ele. Um desafio dos governos, das universidades, das empresas, dos cidadãos, de todos. Como a enchente, a solidariedade e a união de forças foram de uma escala jamais vista. Hora de fortalecermos essa corrente para reerguer Porto Alegre e prepará-la para o amanhã. Estamos todos do mesmo lado