O avanço da tecnologia, com o uso de ferramentas cada vez mais sofisticadas de inteligência artificial, transforma e impõe novos desafios à gestão municipal. Para a Famurs, que representa os 497 municípios gaúchos, esse fenômeno tem exigido a criação de estratégias para que todas as cidades – independentemente do porte – tenham condições de acompanhar a evolução tecnológica. Afinal, a adoção de processos mais modernos é fundamental para garantir uma prestação de serviços mais eficiente às comunidades.
Diante desse cenário, o uso da inteligência artificial foi destacado como um dos eixos prioritários da atual gestão da entidade. Para consolidar essa agenda, lançamos a bandeira Cada Dia Mais IA, que orienta ações de capacitação e apoio técnico às prefeituras. Em seis meses, o tema ganhou força entre os prefeitos, reflexo do esforço institucional de levar a pauta para o centro das discussões municipais.
Esse avanço também se traduziu em ações concretas. Assinamos um termo de cooperação com o Ministério Público para qualificar o uso da IA nas prefeituras. O MP já estuda soluções aplicáveis para áreas como licitações, compras públicas e cadastros imobiliários, setores que exigem segurança jurídica e total transparência. Tão importante quanto modernizar sistemas é assegurar que as bases de dados sejam seguras, confiáveis e auditáveis.
A urgência por ferramentas eficientes aumenta diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária. Os novos modelos de tributação ampliarão a circulação de dados entre municípios e União, exigindo plataformas ágeis, integradas e preparadas para um fluxo maior de informações. Por isso, a adoção de IA deve ser entendida não como um fim em si mesma, mas como estratégia de qualificação dos serviços públicos e redução dos processos burocráticos.
Nesse ambiente de transformação, começam a surgir iniciativas que demonstram o potencial da inovação no setor público. Pela primeira vez, o Prêmio Boas Práticas incluiu uma categoria dedicada ao tema. Os projetos vencedores mostraram que soluções inteligentes podem nascer tanto em pequenos quanto em grandes municípios, inspirando outras cidades a tirar ideias do papel.
A inteligência artificial não substitui o trabalho humano, mas amplia a nossa capacidade de agir, melhora a eficiência, a produtividade e devolve algo fundamental à gestão pública: tempo para estar perto das pessoas e de suas demandas. Precisamos encarar esses avanços como oportunidades. Para isso, é essencial seguir diretrizes, cumprir legislações e atuar amparados pelos órgãos de controle. Esse é o caminho para construirmos municípios mais inteligentes, humanos e conectados ao mundo atual.