Da mesma forma que aprender a caminhar começa pelo primeiro passo, a vida escolar de um aluno começa pela alfabetização na idade certa. No início de abril, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou os resultados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) da rede pública de ensino. O indicador é calculado a partir das avaliações aplicadas pelos estados no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), com foco na aprendizagem para alunos do 2º ano do ensino fundamental.
É esperado que o aluno esteja alfabetizado ao final do 1° ano do Ensino Fundamental, como ocorre na escola privada, mas talvez por uma licença poética, ou quem sabe pelos péssimos resultados, a medição, na escola pública, ocorre somente ao final do 2° ano.
Como será que foram os nossos municípios, em um estado que sempre se vangloriou pela excelência na educação.
A primeira informação diz respeito à meta traçada pelo Inep para cada município. O resultado é preocupante: 71% dos nossos municípios não atingiram a meta, ou seja, não alcançaram o mínimo resultado esperado, que, em média, era de 73 pontos.
Deixando de lado a meta, vamos olhar a nota de cada município: em uma escala de 0 a 100. 22% dos nossos municípios têm ICA menor do que 50. 31% têm entre 50 e 70, 41% entre 70 e 90 e apenas 7% atingem a excelência (?), com nota maior do que 90. Apenas 8 municípios alfabetizaram todos os seus alunos ao final do 2° ano. O resultado final é que mais da metade dos nossos municípios seriam reprovados ou estariam em recuperação.
A equação é simples: se o aluno não é alfabetizado na idade certa, ele consegue, aos trancos e barrancos, concluir o Ensino Fundamental, não chegando a ingressar no Ensino Médio, por falta de base. Este é um ciclo vicioso, que se repete há muitos anos e que fulmina o futuro do nosso país.
Exerça a sua cidadania e pergunte ao prefeito da sua cidade qual é o ICA do município. Se ele não responder, eu te informo.