O “ethos” do bom povo brasileiro sempre foi alegre e pacífico. No mundo todo, somos conhecidos pela cordialidade e pela capacidade de improvisar, de forma construtiva, frente às adversidades. Durante a 2ª Guerra Mundial, na caminhada da Força Expedicionária Brasileira, nossas tropas eram exaltadas em cada cidade libertada e os italianos adoravam os brasileiros.
Nos últimos vinte anos, sem que percebêssemos, fomos aos poucos importando uma polarização exógena, construída no discurso do “nós contra eles” e que foi literalmente abraçada pelos extremos políticos e ideológicos que tanto mal têm feito ao Brasil e ao nosso povo. A polarização, como hoje estamos vendo e vivendo no Brasil, é um fim em si mesma. Para pouco ou nada serve, pois só alimenta o ódio e a falta de razoabilidade, impedindo o raciocínio lógico, o debate sadio e o discurso racional. As multidões, quando cegas, são usadas e viram massa de manobra nas mãos de falsos salvadores da Pátria e assim não conseguem contribuir efetivamente para o desenvolvimento nacional.
No estamento político nacional, e para nossa tristeza, vemos um pequeno número de lideranças autênticas e verdadeiramente preparadas para conduzir o país em cargos de relevo. Principalmente nos extremos ideológicos, movidos pelo ódio e pela insensatez, vemos uma leva de personagens caricatos, cada um com sua característica de marketing, preocupados muito mais em produzir conteúdo “incendiário” para as suas redes sociais e que atuam mais como integrantes de um “reality show” do que efetivamente como legisladores, pois colocam em segundo plano os estudos e os trabalhos que, em verdade, honrariam os votos daqueles que os colocaram como seus representantes no parlamento.
A distopia no relacionamento entre os Poderes da República é outro fator que mantém acesa a chama da polarização, pois dela vários incautos se aproveitam para manejar seus interesses que, não se enganem, por muitas vezes são escusos e nada republicanos. Gestores públicos incompetentes e descomprometidos, juízes imparciais e políticos que só querem "likes" e seguidores moldam esse circo dos horrores.
Precisamos enterrar os ressentimentos e o caminho para essa construção é investirmos no diálogo franco, que deve começar no seio familiar, para depois migrar para o convívio social e laboral. Podemos sim discordar, podemos sim ter pensamentos políticos divergentes, mas não devemos jamais ser inimigos, pois todos somos brasileiros.
A paz social, objetivo permanente do nosso país, deve ser construída urgentemente como condição “sine qua non” para a estabilidade nacional. Nesse contexto, deve-se, sim, priorizar a anistia como ferramenta de pacificação nacional, a exemplo do que já foi feito em diversos episódios de nossa história recente. Perdoar é ato de nobreza!
Por derradeiro, e para que tenhamos efetividade, precisamos focar no futuro próximo, apagar o fogo dos ressentimentos e construir um novo Brasil, com novas lideranças que, de fato, defendam a liberdade, a união e a pacificação nacional, fazendo com que a esperança vença o ódio.