Artigos

O Brasil que fica depois das urnas

Por DAIÇON MACIEL DA SILVA, ex-prefeito de Santo Antônio da Patrulha

Encerrado o segundo turno das eleições presidenciais, fica uma reflexão que vai além do resultado das urnas: até quando o Brasil permanecerá dividido entre lulistas e bolsonaristas?

Os debates que antecederam a votação, especialmente os realizados pela Band e pela Globo, deixaram muito a desejar. Em vez de propostas concretas, planos de governo e explicações sobre a origem dos recursos para executá-los, assistimos a ataques pessoais, acusações e ofensas.

O reflexo desse comportamento foi sentido nas redes sociais, tomadas por provocações, intolerância e discussões que, muitas vezes, comprometeram amizades e relações pessoais. Pouco se debateu sobre o futuro do país. Confesso que esse cenário me desmotivou a participar como um militante no segundo turno. Pela idade, meu voto já não era obrigatório, ainda sim, compareci às urnas e votei no “menos ruim”. Preferi o silêncio, sem manifestações partidárias, carreatas ou tentativas de influenciar a escolha de amigos e conhecidos.

Minha preferência era por Ronaldo Caiado, a possibilidade de uma terceira via talvez, capaz de oferecer uma alternativa à polarização que há tantos anos marca a política brasileira. Agora, com as urnas fechadas, o clima é de incerteza e ameaças apocalípticas chegam de todos os lados. É preciso olhar adiante. O Brasil não pode permanecer refém de disputas pessoais e antagonismos que pouco contribuem para enfrentar seus verdadeiros desafios.

Espero que, em 2030, possamos viver uma eleição com mais propostas, respeito às diferenças e compromisso com o desenvolvimento deste país tão rico em recursos naturais, cultura e, sobretudo, em seu povo. Uma reflexão resume bem esse sentimento: "Seu voto revela uma preferência política, mas a maneira como você trata quem discorda de você revela qual é o seu caráter" (autor desconhecido).

Que as divergências políticas não nos façam esquecer o respeito que devemos uns aos outros.