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O cata-vento gira quando encontra o movimento

Por MELINA SCHUCH, superintendente de Estratégia e Mercado do Hospital Moinhos de Vento

Com cerca de 44 mil moradores, o Mário Quintana é o quarto bairro mais populoso de Porto Alegre. Cresceu rápido, como cresce boa parte das cidades brasileiras: pelas mãos de quem chegou e construiu. Famílias vindas de diferentes regiões da Capital ergueram, em poucos anos, uma vizinhança inteira, com rotinas próprias e um grande número de crianças e adolescentes cheios de planos.

Onde a população cresce depressa, a demanda por serviços chega antes da estrutura. Isso vale para qualquer cidade e não se resolve por um ator só. É aí que a iniciativa privada pode somar. É neste contexto que nasce uma iniciativa que reúne, no mesmo endereço, atenção primária à saúde e um centro com capacidade para receber 300 crianças e adolescentes por dia, em oficinas de reforço escolar, dança, teatro, hip hop, robótica, judô, cidadania e orientação profissional. Uma criança que estuda de manhã passa a ter onde ficar à tarde, com almoço, biblioteca, quadra e gente que sabe o seu nome. Aos sábados, a quadra e o espaço multiúso abrem ao bairro para jogos e atividades culturais. Há também encontros voltados às famílias, porque o que uma criança aprende costuma chegar em casa antes dela.

O cuidado de saúde que só começa na emergência chega tarde e custa mais para as famílias e para o sistema público. Consultas de rotina, vacina em dia, pré-natal, reforço escolar, treino no contraturno são a saúde, muito antes do hospital. Com base nessa premissa, avançamos junto com o poder público na construção dessa parceria. O terreno foi cedido pelo município e a operação será articulada com a rede pública. Cada ação terá indicadores acompanhados ao longo do tempo. Se as evidências confirmarem o modelo, ele poderá chegar a outros territórios.

O cata-vento gira quando encontra movimento, transforma o vento em impulso e aponta para novas direções. É essa imagem que inspira a unidade que o Instituto Moinhos Social vai construir no bairro Mário Quintana. O nome conecta duas histórias: “A Rua dos Cataventos”, obra de estreia do poeta que dá nome ao bairro, e a própria origem do Moinhos de Vento. Assim nasce a Catavento, um lugar pensado para transformar movimento em novas possibilidades.

Nada disso se sustenta sozinho. Neste 17 de setembro, na Associação Leopoldina Juvenil, o Instituto Moinhos Social reúne a sociedade gaúcha em um jantar beneficente cuja arrecadação será integralmente destinada à obra. Cada lugar ocupado é mais um passo para erguer a Catavento no Mário Quintana. O cata-vento aponta a direção e ganha força com o movimento. É esse movimento que queremos colocar em curso.