Quando, em 1549, o padre jesuíta Manuel da Nóbrega pisou em terras brasileiras com a missão de cristianizar os indígenas, houve, já no início, a interação na busca da cura de doenças, efetivamente utilizada pelos pajés com plantas, herbáceas e chás, e a medicina do mundo civilizado e ministrada pelos padres jesuítas no continente europeu. Os séculos XVI, XVII e XVIII foram de uma lenta caminhada na evolução da ciência médica no país.
A presença da Família Real no Brasil, em 1808, deu impulso à ciência médica, com o nascimento das duas primeiras faculdades médicas, na Bahia e no Rio de Janeiro. Foi, talvez, o primeiro marco da medicina científica brasileira. A terceira faculdade brasileira veio somente 90 anos depois, aqui em Porto Alegre.
Até a década de 50, existiam 27 escolas médicas no Brasil, mas a partir de 2013, a política do governo brasileiro foi de abrir novos cursos, criando critérios pelo Ministério da Educação a serem cumpridos. Entretanto, a flexibilização destes critérios vem ocasionando muita preocupação ao Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e autoridades em saúde devido à formação deficiente dos acadêmicos em escolas sem as mínimas condições de ensino, treinamento, pesquisa e corpo docente qualificado.
Hoje, temos 400 escolas médicas em funcionamento no país, outras 290 estão em análise no MEC. Somos o país campeão em faculdades de Medicina, seguidos pela Índia, com 381 escolas e 1,4 bilhão de habitantes; China, com 250 escolas médicas e 1,4 bilhão de habitantes; e Estados Unidos, com 141 cursos e 341 milhões de habitantes.
No dia 2 de abril, tivemos na Amrigs um fórum sobre o tema, no qual várias entidades se manifestaram para debater a implantação de uma prova de proficiência, projeto esse que tramita no Congresso Nacional.
A verdade é que o número excessivo de médicos formados – aproximadamente 50 mil por ano – não supre a má distribuição no país, pois, na verdade, a falta de condições técnicas, estruturais e sanitárias impede esta distribuição mais equânime. Talvez a implantação da carreira médica, a exemplo do Ministério Público, possa minimizar a questão.
Ainda há uma longa caminhada pela frente. Precisamos avançar e amadurecer esse complexo tema que afeta a saúde da população brasileira. A qualificação do ensino médico não pode ser negociada – há que se ser radical na busca de excelência acadêmica.