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O desafio não é apenas aplicar fertilizantes, mas aumentar sua eficiência

Por SILMO DE ÁVILA, diretor da Agross do Brasil

O Brasil é uma potência agrícola, mas continua altamente dependente de fertilizantes importados. Segundo estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras vêm do exterior, o que torna a produção vulnerável a oscilações cambiais, conflitos geopolíticos e aumentos nos custos internacionais.

Diante desse cenário, é natural que o debate sobre fertilizantes esteja concentrado na oferta e nos preços. No entanto, existe uma discussão igualmente importante que precisa ganhar espaço: a eficiência no aproveitamento desses insumos. Nem sempre o desafio está em aplicar mais fertilizantes, mas em criar condições para que a planta consiga utilizar melhor os nutrientes já disponíveis no solo. E isso passa diretamente pela qualidade da estrutura física das áreas agrícolas.

A compactação do solo, problema comum em muitas regiões produtoras, reduz a infiltração da água, limita o crescimento das raízes e dificulta a absorção de nutrientes. Como consequência, parte do investimento realizado pelo produtor deixa de se transformar em produtividade.

Quando o solo apresenta limitações físicas, a água da chuva infiltra menos, as raízes exploram um volume menor de solo e a lavoura se torna mais vulnerável, tanto aos períodos de estiagem quanto às perdas de nutrientes. Em um cenário de custos elevados, essa ineficiência pesa cada vez mais no resultado final da propriedade.

Por isso, cresce a importância de tecnologias e práticas de manejo voltadas à melhoria das condições do solo. Melhor infiltração de água, maior desenvolvimento radicular e melhor aproveitamento dos nutrientes contribuem para sistemas produtivos mais resilientes e rentáveis.

Em um contexto de mudanças climáticas e aumento dos custos de produção, olhar para o solo deixa de ser apenas uma questão agronômica. Torna-se uma estratégia econômica. Afinal, produzir mais não significa necessariamente aplicar mais insumos, mas utilizar melhor os recursos já disponíveis dentro da propriedade.