Em 2023, a educação brasileira está enfrentando muitos desafios na busca por novos rumos. Após vivermos uma época pandêmica, pais e professores têm que vencer uma nova etapa, marcada pelos impactos ligados ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, em particular em campos da ciência que demandam profundidade de raciocínio e concentração, como a matemática, que tem no dia 6 de maio sua data comemorativa.
Estudo do Movimento Todos pela Educação, que utiliza dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) das últimas décadas, evidencia a dificuldade de atingirmos especialmente uma das metas traçadas para a área: que toda criança brasileira tenha um aprendizado adequado à sua fase de desenvolvimento e ao ano letivo em que se encontra.
Entre 2007 e 2017, por exemplo, houve um avanço no percentual de estudantes com aprendizado considerado adequado ao 5º ano das redes públicas e privadas. Mas os alunos estão avançando mais lentamente em matemática, disciplina fundamental para um mundo do trabalho cercado por tecnologia, inovação e necessidade de raciocínio lógico. Em 2019, 45% dos estudantes encerraram essa etapa alcançando os objetivos em matemática, o maior percentual nas últimas duas décadas analisadas. Porém, em 2021, foram apenas 35%, patamar referente a dez anos atrás.
Pesquisa sobre Competências Socioemocionais, de 2021, conduzida pela OCDE, investigou as habilidades de estudantes de 10 e 15 anos de nove países, incluindo o Brasil. Os dados comprovaram a forte associação entre o desenvolvimento de habilidades como curiosidade, persistência e confiança com boas notas de matemática. E enfatizam a importância de garantirmos ambientes escolares e familiares preparados e estimulantes para a busca para além de objetivos predeterminados, relativos aos conceitos das disciplinas. E relacionam os resultados de longo prazo ao processo que chamamos de aprendizagem socioemocional com a aprendizagem tradicional.
Nas últimas décadas, temos vivenciado e medido experiências espalhadas nesta linha por todo o Brasil, incluindo o Rio Grande do Sul, por meio da inclusão de metodologias que incentivam o desenvolvimento e a abordagem socioemocional dos alunos. Mas, para que isso se reflita na melhora consistente da aprendizagem da disciplina e de seus indicadores em nível estadual, regional e nacional, é preciso torná-las escaláveis e garantir a sua aplicação junto aos currículos por um longo período de tempo.