Ser prefeito já é, por si só, uma tarefa árdua. Governar um pequeno município, então, ainda mais. Com menos fontes de arrecadação, às vezes distantes de grandes centros, as gestões vivem com o dilema de manter as contas em dia. Quadro agravado quando, frequentemente, somos obrigados a cobrir despesas que Estado e União não custeiam — na saúde, educação e segurança.
Este ano, com a pandemia, o cenário foi ainda mais difícil. Foram esforços hercúleos para prevenir a disseminação do vírus nessas comunidades, além de lidar com a queda de arrecadação advinda do fechamento do comércio. E mais: tivemos de encarar uma luta de Davi contra Golias por leitos de UTI e testes. Na Região Carbonífera, por exemplo, foram meses de espera até que tivéssemos reforço na terapia intensiva no hospital de São Jerônimo, nosso centro de referência.
O quadro que os novos prefeitos encontrarão a partir de 1º de janeiro não será menos pedregoso. Para os pequenos municípios, especialmente, ainda pairam muitas incertezas. Os casos de Covid-19 estão aumentando e uma segunda onda não é descartada – o que pode nos levar a começar 2021 com restrições nas atividades. Não sabemos quando virá a vacina, nem como ela será distribuída. A economia segue a passos trôpegos, com retomada instável e o dragão da inflação à espreita.
Aos gestores, a saída estará no trabalho e na dedicação diante da complexa missão de governar. No entanto, Estado e União devem fazer sua parte, sendo solidários com as comunidades. É preciso garantir as verbas para que a população seja assistida, especialmente no atendimento de saúde e na oferta de ensino aos nossos jovens. É urgente, também, estabelecer critérios adequados para que a vacina contra a Covid-19 chegue a todos os municípios, de forma justa.
Por fim, deve-se avançar nas reformas estruturais que liberem mais recursos às funções primárias do Estado. Esqueçamos as bandeiras ideológicas. É hora de estarmos juntos para, finalmente, vencer o maior desafio de nossa história, preservando a vida e gerando desenvolvimento para todos.
*Presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Asmurc)