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O grito silencioso do campo: produtores rurais entre enchentes, estiagens e dívidas

Por Comandante Nádia, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre

O campo gaúcho está vivendo dias sombrios. Os produtores rurais, que sustentam a alimentação do Brasil e de tantos outros países, encontram-se mergulhados num desespero sem precedentes. Enchentes devastadoras, de um lado, arrastam plantações inteiras, destroem máquinas, estruturas e solo produtivo. Do outro, estiagens prolongadas secam rios, queimam lavouras e matam a esperança. O resultado é o mesmo: colheitas perdidas, renda extinta e dívidas impagáveis.

A tragédia humana por trás dessas cifras assusta. Já são 22 agricultores que tiraram suas próprias vidas, sufocados pelo medo e pela angústia de não conseguir honrar financiamentos bancários contraídos para manter suas atividades. São pais, mães, filhos que, após uma vida inteira de trabalho duro, não enxergaram saída diante do peso das contas acumuladas e do futuro incerto.

Não se trata apenas de números ou prejuízos econômicos. Estamos falando de famílias inteiras, de comunidades rurais que definham à medida que o campo agoniza. O agro, tão celebrado por sua força e produtividade, sangra calado, enquanto falta apoio efetivo para enfrentar essas crises climáticas e financeiras.

É urgente que o governo federal assuma seu papel. A renegociação das dívidas dos produtores rurais não pode mais ser empurrada para frente. Sem uma solução imediata, mais famílias serão destruídas e a produção agrícola nacional poderá sofrer impactos duradouros.

A securitização se mostra indispensável. Trata-se de criar condições reais para que os agricultores consigam valores com prazo de 20 anos, juros justos, sem risco de perderem suas terras ou seu sustento. Não se pode punir quem trabalha para garantir a comida em nossas mesas e para que o Brasil siga exportando alimentos para o mundo.

A crise climática não dá trégua. O mínimo que se espera é que o Estado estenda a mão a quem, todos os dias, encara o sol e a chuva e luta contra pragas, doenças e, agora, fenômenos extremos, para alimentar milhões. O agro é vital para a economia, mas, antes disso, é feito de pessoas. E essas pessoas não podem continuar invisíveis.

O Brasil precisa olhar para o Rio Grande do Sul com responsabilidade e humanidade. Antes que seja tarde demais.