Os investimentos globais em robótica na medicina devem crescer cerca de 20% até 2025, podendo atingir 24,6 bilhões de dólares, segundo a Zion Market Research. Essa tendência global começa, aos poucos, a se materializar em território nacional. No último mês, por exemplo, Porto Alegre se tornou a primeira cidade do sul do país a realizar uma cirurgia robótica da coluna vertebral a partir de uma solução que também já está em operação no estado de São Paulo. Na cirurgia robótica, robôs integrados à inteligência artificial e softwares permitem que o médico planeje todo o procedimento, trazendo mais previsibilidade à cirurgia, além de garantirem maior precisão dos implantes e até uma melhor visibilidade do local da cirurgia. Mas os benefícios vão muito além disso. A cirurgia robótica está transformando a medicina ao proporcionar benefícios significativos para médicos, pacientes e todo o sistema de saúde.
Se, com a cirurgia robótica, o médico ganha uma ferramenta aliada de alto nível técnico, do lado do paciente, as plataformas robóticas proporcionam redução no tempo de cirurgia, na probabilidade de complicações cirúrgicas e no risco de necessidade de reoperação, resultando em internações mais curtas e retorno mais rápido às atividades do cotidiano. Para as instituições de saúde, isso é sinônimo de otimização dos recursos médicos, de equipe, de suprimentos e de estrutura. Em tempos de recursos limitados, as tecnologias que trazem eficiência, como é o caso da robótica, precisam ser encaradas como investimentos de médio e longo prazos, com impactos profundos na sustentabilidade da cadeia, assim como no ganho de saúde para os pacientes.
Hoje, o uso da robótica na saúde ainda é mais expressivo no setor privado e ampliar o acesso a essas novas tecnologias é um desafio que passa pela busca pelos melhores resultados clínicos e operacionais, que proporcionam otimização de custo e maior eficiência. No Brasil, o SUS realiza cirurgias robóticas de coluna no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) desde janeiro. Mas há espaço para mais, visto que já existem parâmetros comprovados que justificam a maior participação do setor público neste tipo de iniciativa como os fatores já citados: maior segurança para o paciente, menor risco de infecção, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Desde 2022, em um claro sinal de que essas soluções chegaram para ficar, o Conselho Federal de Medicina estabelece os critérios para a realização de cirurgias robótica no país, destacando quais instituições estão habilitadas para realizar esse tipo de intervenção e quais as competências exigidas do cirurgião.
Do lado da indústria, as empresas estão desenvolvendo todos os dias novas técnicas que são incrementadas e potencializam os robôs. Além disso, a forma como os robôs estão sendo construídos permite que as novas funcionalidades sejam agregadas com uma simples atualização de software, o que facilita o investimento e permite uma adoção mais rápida e fácil.
Há um longo caminho a ser percorrido, mas estamos avançando. Com a colaboração contínua entre os diversos agentes da cadeia de saúde por meio de parcerias estratégicas, é possível acelerar a adoção dessa tecnologia transformadora e garantir um cenário em que procedimentos mais seguros e eficientes sejam uma realidade para cada vez mais pessoas.