A Copa do Mundo é, sem dúvida, o maior evento esportivo do planeta. Milhões acompanham os jogos, torcem por suas seleções e celebram os grandes momentos do futebol. Mas, como especialista em propriedade intelectual, aprendi que existe outra Copa acontecendo ao mesmo tempo: a dos negócios.
Por trás de cada partida existe uma estrutura econômica que movimenta bilhões. A Fifa projeta receitas de até 13 bilhões de dólares para o ciclo financeiro 2023-2026, cerca de 72% acima do ciclo anterior, encerrado com a Copa do Catar. Desse total, 8,9 bilhões de dólares devem ser gerados especificamente em 2026, ano de realização do torneio. O futebol se tornou mais que um esporte: é uma indústria global.
Quando falamos em riqueza, pensamos em bens físicos. Mas a Copa mostra como os ativos mais valiosos da economia moderna são intangíveis: marcas, audiência, conteúdos e imagem dos atletas. Em 2025, mesmo sem Copa, a FIFA registrou 97 milhões de dólares em licenciamento, vindos de royalties por marcas e identidade, 61,7% acima do orçamento, prova de que ativos juridicamente protegidos geram receita fora do torneio.
Não por acaso, empresas investem cifras expressivas para associar suas marcas ao evento, o que exige proteção jurídica a quem investe e a quem detém direitos. O caso da EA Sports FC é emblemático: ao encerrar o contrato com a Fifa em 2022, lançou para 2026 um torneio próprio, com 48 seleções, mas sem nome ou identidade oficial da Copa.
É nesse contexto que a propriedade intelectual ganha relevância: as regras que protegem marcas, conteúdos e imagem não existem só para coibir usos indevidos, mas para sustentar a cadeia econômica do esporte.
A Panini, responsável pelas coleções oficiais desde 1970, ilustra o outro lado. Segundo a imprensa, projeta 1,48 bilhão de dólares em vendas de produtos licenciados de 2026, mais que o dobro de 2022.
É comum ver empresas se aproximando do futebol via campanhas promocionais. O desafio está em distinguir a referência legítima ao esporte da associação comercial indevida.
Numa economia baseada em conhecimento e reputação, ativos intangíveis ocupam posição estratégica e o futebol só torna isso mais visível.
Por isso, ao assistir a uma partida, vale lembrar: existe muito mais em jogo do que o placar. Marcas, contratos, direitos e estratégias movimentam uma indústria que explica por que a Copa é também um dos maiores negócios do planeta.